Contos da Índia- Que fim levou Swati?

Foto de Mãos De Casamento Indiano e mais fotos de stock de Casamento -  iStock

Quem acompanhava o conto deve ter se questionado em relação ao futuro de Swati. Após a morte do amor de sua vida, o cenário estava montado para que sua família fizesse o tão sonhado casamento arranjado.

Swati continuou sua amizade com a mãe de Nikhil e frequentava sua casa pelo menos uma vez por semana. Talvez, uma maneira de manter viva a memória do filho e do amor que havia partido tão cedo. Amigos e familiares ainda não conseguiam acreditar que alguém tão jovem e aparentemente saudável possa ter morrido de parada cardíaca. “Foi magia negra”- disseram alguns. – Na Índia, para evitar um casamento, os pais são capazes de tudo!”- disseram outros. Até envenenamento por parte da mãe de Swati havia sido cogitado.

Porém, por mais que se cogitasse, nada mudaria a triste e solitária realidade de Swati, que agora precisava encontrar forçar para caminhar sozinha.

O sonho de Swati era ir ao Japão. Ela estudava japonês e estava juntando dinheiro para poder ir ao Japão estudar o idioma. Os amigos logo imaginaram que ela iria finalmente adiantar este projeto e ir ao Japão curar as feridas em um novo ambiente.

Alguns meses depois, o telefone da minha mesa toca:

Hey, Banjara. Sou eu, Swati!! Tenho uma novidade muito legal pra te contar!Você não vai nem imaginar!

Certa de que ela me diria que estava com passagem comprada para o Japão, eu disse:=

Imagino sim, mas quero ouvir da sua boca!”

– “Eu vou casar!

Como se um balde de água fria tivesse caído sobre minha cabeça, permaneci em silêncio por alguns segundos.

Se assustou?– disse Swati.

“Sim…achei que você fosse me dizer que ia ao Japão“.

– “Você sabe, Banjara…eu amo o Nikhil. Ele sempre será o grande amor da minha vida. Mas o Ravi é muito legal. Eu acho que ele vai ser um bom marido. E…minha família está muito feliz com ele.

Continuei sem saber o que dizer, mas tive que arrancar um “parabéns” não sei de onde para não bancar a grossa.

– “E eu tô ligando para avisar que assim que a data do casamento for marcada, eu te mando o convite e eu quero muito, muito mesmo que você venha!”

Ao desligar o telefone, não me contive e liguei para nossa outra amiga, que formava o trio. Ela, mesmo sendo indiana, também disse ter custado a crer no que acabara de ouvir. -“Esperava mais dela. Só isso“.

Eu também esperava mais dela. Esperava que ela fosse ao Japão e não desperdiçasse os anos de estudos do idioma, que conhecesse outro país, outra cultura, outro mundo, que morasse sozinha, que ficasse independente e aprendesse a ouvir sua própria voz ao invés de ouvir a voz da sociedade, representada através dos pais. Esperava que sua coragem e rebeldia iniciais e que inspiraram este conto jamais tivessem sido queimadas naquela pira junto com o jovem Nikhil.

E assim como tantas outras, ela entendeu que não adiantava luta contra as leis maiores da sociedade. Casar era a melhor alternativa. Talvez para esquecer o passado. Talvez para sair da casa dos pais. Talvez para mudar-se para uma nova cidade. Talvez para ter um lar do qual se sentisse dona. Talvez, talvez, talvez.

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Não pude ir ao casamento de Swati pois tive outro casamento no mesmo dia na minha cidade. Não sei se não pude ou se uma parte de mim se recusou a ir. Se recusou a aceitar que toda aquela luta tenha sido em vão. E mais uma vez a tradição vencia.

O bebê de Swati e Ravi nasce no mês que vem. Preciso enviar as congratulações.

por Banjara

Publicado por Banjara Soul

Este blog é para compartilhar um pouco das estórias e memórias que acumulei ao longo destes 12 anos neste incrível continente chamado Ásia. Hoje, de volta ao Brasil, mas com a Ásia no coração.

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