Contos da Índia – A indiana controversa

Olá, pessoal!

Mal comecei a nova vida aqui em Bangalore e já tenho caso para contar. Tirando o meu chefe, que é japonês, os meus outros colegas de trabalho são todos indianos. Três de Delhi e um aqui de Bangalore. Uma moça e três rapazes. A moça, é a protagonista do nosso Contos da Índia de hoje.

Natural de Delhi, 25 anos, bonita, nossa protagonista é o protótipo da indiana moderninha. Vive cortando o cabelo, usa jeans super rasgado, vestidos curtinhos, namora, fuma, bebe…mas é vegetariana. Além de ser vegetariana, nossa colega diz ser contra casamento arranjado e sistema de castas. Em um de nossos primeiros encontros, este assunto veio à tona e, ela disse: – “Eu acho esse negócio de castas uma palhaçada!”

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Porém….semana passada, fizemos uma pequena festa aqui em casa e convidamos o pessoal do escritório. Ela também veio e foi a primeira a chegar. Estávamos nós três sentados (eu, meu marido e ela), quando ela vira para ele e solta:

– “Qual a sua casta“?

Meu marido ficou até desconcertado, já que geralmente não é assim que se começa uma conversa. Nem mesmo na Índia. Para não ser grosso, ele respondeu.

Aí, ela completou: – “Ahn..você sabe..nós somos indianos. Nós temos que perguntar isso.

Ela parou por uns instantes e disse: – “Nossa…deve ter sido muito difícil para a sua família aceitar seu casamento com uma estrangeira, já que vocês só casam com gente da mesma casta!”

– “Nem tanto“. – respondeu meu marido, já meio sem paciência.

Quando a festa acabou (a melhor parte é o pós-festa), imediatamente, ele veio até mim e disse: – “Aquela menina…não é má pessoa, mas…isso é lá jeito de se começar uma conversa?”

Mas, o choque maior mesmo, foi ver aquele contraste todo: uma moça bancando a moderninha, mas, ainda assim, pergunta do sobre castas. Coisa que, aliás, nenhum dos rapazes presentes na festa jamais perguntara. Nem na festa e nem fora dela. Não que a casta precise ser ocultada, mas convenhamos que já melhores maneiras de abordar uma pessoa e iniciar uma conversa.

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A mesma moça, teve um comportamento meio estranho no sábado, quando fomos assistir Baahubali 2. Cinema lotado, todo mundo extasiado com o filme e, de repente, ela começa a rir alto. Ou melhor, gargalhar. A indiana do meu lado, uma adolescente, até levantou um pouco do assento para ver o que estava acontecendo. Nossa protagonista estava debochando do filme, porque achou ridículo os efeitos especiais e toda a estória.

Quando o filme terminou, nosso outro colega, deu uma bronca nela, dizendo:

Você gosta de Harry Potter, Fast and furious, e outras coisas. Acha legal, né? Então, porque não acha Baahubali legal? A estória é muito mais interessante que todos estes e, ainda por cima, é made in India!

Ela continuou dizendo que achava patético e ridículo, apesar de não ter um argumento sólido para se defender. Meu colega virou para ela e disse: -” Você é metida a firangi!”

Eu estava p…..da vida com ela, mas apenas disse: – “A firangi aqui sou eu e, eu simplesmente amei o filme!”

Aí, depois disso, parece que ela entendeu o recado, logo chamou um táxi e deu o fora dali.

Mas, apesar de toda esta fachada e de tentar ser americanizada, ter iniciado uma conversa perguntando sobre castas, só prova que, a modernidade dela é só de fachada. No final das contas, ela será mais uma para a estatística dos casamentos arranjados aqui na Índia. Escrevam o que tô dizendo.

Por Banjara

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4 comentários

  1. Julianaaa, que situação, porque você não deu uma voadora nela? kkkk, sem educação essa pessoa, coitada é uma iludida e debochando da cultura dela, estou namorando um indiano e ele fala português, e estamos planejando nosso casamento, espero não passar por isso ou coisa parecida, e não terei dúvidas quanto a isso kkk, mas como você disse, ela será a próxima vítima kkkk sempre acompanho suas estórias, tudo de bom pra vc. bjsss.

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  2. Já conheci parecida, aqui nos EUA… a moça tinha acabado de chegar da Índia, com tatuagem no braço, me contou que namorou por anos antes de casar (e o marido era da mesma casta… “por coincidência”). Um dia fomos num happy hour com o chefe (indiano) e pensando no que pedir pra comer, ela comenta que come de tudo… “mesmo sendo Brahmin”. Affff peguei bode instantâneo!

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  3. Nossa, que horror, isso parece coisa de adolescente revoltado (tardiamente né, pois com 25 anos já deveria se comportar como adulta)!! Enfim, é como vc mesma disse, vai ser mais uma estatística indiana…

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