Um bebê e muitos choques culturais

Esta última (e interminável) viagem à Uttar Pradesh para o Diwali me rendeu muitas estórias. Nosso blog, claro, agradece.

Hoje, quero contar para vocês, o choque cultural que tive ao ver como os indianos do interior cuidam de seus bebês.

No Brasil, quando sabem que um bebê vai nascer, a primeira coisa que os pais e a família pensam é:

“Vai ser menino ou menina? Precisamos preparar o enxoval!”

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Já começa aí o primeiro choque. Se você ainda não sabe, aqui na Índia, é proibido por lei informar o sexo do bebê. Tudo isso, graças à estúpida prática do feticídio feminino, no qual muitas famílias, sabendo que o bebê será do sexo feminino, imediatamente optam pelo aborto. E, mesmo que a grávida seja estrangeira, o médico não poder revelar o sexo de forma alguma, podendo ser gravemente punido e indo parar na cadeia.

Mas, voltando ao assunto do enxoval…. há toda uma preparação e expectativa pela chegada do bebê e isso, claro, implica em comprar todo aquele aparato que inclui: berço, armário, cômoda, andador, banheirinha, blá blá blá.

Precisa disso tudo? Bem, no interior da Índia, não. E, este foi um dos maiores choques culturais que tive neste último Diwali. No interior da Índia, tirando os gastos com o parto e internação no hospital, os gastos com um bebê são bem baixos.

Como vocês sabem, minha cunhada deu à luz a uma linda menininha que agora, está com 4 meses. Mas, qual não foi meu choque ao perceber que a bebê não têm berço, nem banheirinha, nem enxoval e muito menos carrinho de bebê!

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Minha mãe ao ver tudo isso, certamente diria: -“Ai, que horror, Juliana!Que pobreza!”

Mas, não pensem nossos leitores que a ausência de apetrechos para o bebê se deve à falta de condições financeiras. Muito pelo contrário! Só o pai da bebê sozinho, consegue faturar em 1 dia o que eu e meu esposo juntos demoramos 1 mês para faturar! Isso, sem contar o resto da família!

Ou seja: se não o problema não é financeiro, é cultural mesmo. Sim, é cultural e, eu já vinha reparando isso há algum tempo. Mesmo aqui em Mumbai, uma cidade onde encontramos tudo do bom e do melhor e onde há diversas lojas incríveis para a mamãe e o bebê, é quase que raro ver casais com carrinho de bebê em shoppings ou nas ruas. Então, como faz, Juliana? É no braço mesmo, minha gente! Os pais se revezam para carregar os pimpolhos, mas carrinho de bebê, ainda não é moda por aqui. Entre os estrangeiros, sim, mas entre os casais indianos, o carrinho de bebê ainda não pegou. Exceto, claro, a elite indiana, acostumada a viajar para o exterior, a andar só de carro com motorista, etc.

Cadê o berço?

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Tá aí outra coisa que minha sobrinha não tem. Ela dorme em uma cama típica indiana, daquelas que o pessoal usa para dormir no terraço (você já deve ter visto em filmes de Bollywood), ao lado da cama dos pais. Nada demais, mas que um bercinho é algo bonitinho, é, né?

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Banheirinha

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Quando me avisaram que iam dar banho na bebê, eu fui a primeira a me animar para acompanhar minha sogra e cunhada até o banheiro. Já fiquei imaginando minha sobrinha gorducha e linda batendo as perninhas dentro da banheirinha. Tem coisa mais fofa? Foi então, que percebi que a banheirinha era inexistente. O banho na bebê é dado da seguinte forma: Minha cunhada segura a filhota e minha sogra vai jogando água na bebê e lavando com sabonete (pelo menos, era sabonete para bebês) o que tem que ser lavado. Sem piedade, despeja um pequeno baldinho de água na cabeça da bebê, que chora sem parar. Mas, em menos de 5 minutos, o trabalho está feito e a bebê está limpinha para começar uma nova série de golfadas.

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É exatamente assim que elas dão banho

Cadê a fralda?

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Porém, o maior choque foi, sem dúvidas, ver que a bebê não usava fraldas. Sim, algo bem ecológico mesmo, mas novamente, o motivo é cultural. Meu marido, cunhado, primos foram todos criados da mesma forma. Fralda, só quando vão sair. Em casa, é sem fralda, só com uma calcinha ou calção. E, inevitavelmente, quem está segurando a bebê naquele momento, acaba sendo o premiado. Eu fui premiada com vários xixis, pelo menos umas cinco vezes. Assim que a bebê faz xixi, já começa a chorar e aí, é hora de trocar sua calça. Mas, susto maior foi na hora do número 2. Até o momento, ainda não havia presenciado a bebê a fazer o número 2. Porém, pela manhã, sua mãe a põe no colo e diz: – “Hum…é hora de ela fazer xixi e cocô. ” 

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De repente, ela começou a usar da mesma técnica que minha mãe usava quando eu era pequena e não queria fazer xixi. Fazia com a boca aquele barulho de “xxxxxiiiiiiiiiii…..” e, quase que de imediato, fazia efeito. Quando não, minha mãe abria a torneira e, o efeito, também costumava ser rápido. E, qual não foi minha surpresa quando vi minha cunhada usando o mesmo artifício com sua bebê! Porém, havia um detalhe: ela estava sentada no meio da sala de estar com a bebê no colo. Ou seja: o xixi caiu todo no chão. E, junto com ele, o famigerado número 2, também!!! Fiquei imaginando como ela ia limpar aquela merda (literalmente) toda.

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De repente, ela levantou, foi lavar o popô da bebê na pia que fica na sala e, me deu a bebê. Logo depois, ela aparece com duas folhas de jornal nas mãos e, finalmente, limpa tudo que estava lá no chão. Já fiquei pensando que um pinho sol ou domex seriam muito bem-vindos naquela hora, mas ficou tudo por isso mesmo. Quem sou eu para dar palpite em como elas devem limpar a casa ou cuidar de um bebê, né?

Lembro-me que há dois anos, no Diwali de 2014, nós fomos até a casa de um primo do meu esposo e, lá, havia uma bebê de 1 ano que, também, não usava fralda. Perdi as contas de quantas vezes eles tiveram que remover as calças da criança. Até que uma hora, deixaram a criança nua mesmo, para facilitar o trabalho, já que todas as calças estavam ou lavando, ou secando. Ou seja: esta prática é bem mais comum do que eu imaginava!

Confesso que apesar do choque, não tenho nada contra o jeito que eles cuidam dos bebês. Afinal, incluindo meu marido e o irmão dele, os primos todos e vizinhos passaram pela mesma criação. Mas, confesso que trabalhando fora como trabalho, não tem como ter tempo de lavar calça borrada de bebê. Sinto muito.

E você? Já sofreu algum choque cultural em relação ao jeito de cuidar de bebês?

Um abraço e até a próxima!

por Banjara

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9 comentários em “Um bebê e muitos choques culturais

  1. …hmmmm por isso não dá pra passear com os bebês, ou ter carrinho de bebê, imagina além de lavar as roupas lavar o carrinho todo instante…e quem tem gêmeos ou mais de uma criança…ficam tudo nuzinhos mesmo!! hahaha…e na China o comentário da Fabi….caraca….é bem louco :p as culturas pelo mundo….gratidão este post Ju…beijinhos

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  2. Eu tenho uma filha de 1 ano e esta saindo das fraldas (obs:ela nunca foi fã rsrs) mas tambem faço esse barulho para ela ou a coloco na pia hahaha bem enfim realmente e diferente por que meu enxoval eu comecei a fazer assim que soube da gravidez .

    espero me formar em antropologia justamente por isso amo a cultura entre os povos seu blog tem me ajudado muito, obrigada 😚

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  3. Lá na China o pessoal é mais ixxxperto: a calça do bebê tem um buraco lá embaixo, deixando o pipi e o popo de fora pra não sujar a calça qdo o pequerrucho fizer suas necessidades. Porém todo o resto (lençol, chão, tapete) ficam uma porcaria só! E no inverno? Mó frio nevando, a criança toda agasalhada só com as partezinhas intimas de fora! Dava uma pena ver aqueles bumbunzinhos azulados de tanto frio!

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  4. Hahahah é assim mesmo!!! Quando veio uma família indiana aqui em casa o banho também foi assim, eu segurava a bebe e ela ensaboava no box do banheiro, ainda bem que o chuveirinhos ajudou mas para ela era normal.

    A parte da fralda como estávamos
    Aqui no Brasil a mãe colocava na bebe diariamente , mas o filhinho que havia acabado de chegar da Índia ( ele morava com os avós) veio sem fraldas , imagine o que aconteceu na minha sala.. um belo de um pee kkkkk pior que moro em apartamento! Pensei que tivesse sido um caso isolado, agora vi que é cultural!!!

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