As princesas perdidas

Olá, pessoal!

Estava respondendo os comentários lá no meu canal, como sempre faço, com muito carinho, quando me deparei com um comentário que me revoltou tanto, que decidi escrever um post a respeito.

Uma mulher, questionava o fato de meu marido me deixar trabalhar e viajar à trabalho, coisa que, para ela era impensável na sociedade indiana. Além disso, ainda me disse que conhecia várias brasileiras casadas com indianos que eram tratadas como “princesas” (escrava mudou de nome agora, né?), porque não precisavam passar por este “sufoco” (palavras da infeliz) de ter que viajar para várias cidades a trabalho, como eu fazia.

Aloooou?? Além desta cidadã que escreveu este triste comentário e que mancha a existência feminina no mundo, deve ter mais gente que compartilha do mesmo pensamento.Então, vou logo avisando:

Acho ridículo e triste, digo de pena, mulheres cujo maior objetivo na vida pé arranjar um gringo (não importa de onde ele seja), casar-se com ele e ficar trancada em casa. Ser dona de casa é uma coisa, uma opção que todo mundo tem e não há mal nenhum nisso. Mas, a realidade aqui na Índia é bem outra. Muitas brasileiras estão casadas com os indianos e sendo princesas, como elas mesma dizem, porque não tem capacidade intelectual e nem profissional de arranjar um emprego. Porque mal dominam sua própria língua materna, porque o inglês é terrível, porque não têm experiência de vida nem profissional relevante, etc. Por estes motivos que citei, as mesmas não conseguem ingressar no competitivo mercado indiano, onde os candidatos, em sua maioria, dominam pelo menos, 3 idiomas, têm faculdade e mestrado.

Então, não é uma questão de ser tratada como princesa, mas não ter mesmo uma opção. Eu poderia não trabalhar na Índia?Sim, poderia. E viveria relativamente bem, financeiramente falado, já que tem tanta gente preocupada com minha vida. Mas, eu resolvi colocar em prática o que minha mãe gastou anos e anos investindo: minha educação. Minha mãe sempre disse: O melhor marido é o seu emprego. Nunca dependa de um homem. Ela sabe muito bem o que é depender de um homem, porque aos 17 anos, ela foi vítima de um casamento arranjado com um homem bem mais velho com o qual ela teve que ter sua primeira experiência sexual sem saber nem como um bebê era feito. Além disso, ela tinha sonhos. Muitos. Queria ser bailarina clássica, o que, segundo o seu pai, era coisa de vagabunda!

Quando ela finalmente se libertou da prisão psicológica e emocional e realmente foi viver como um ser humano, ela já tinha mais de 30 anos.  Mesmo sendo uma exíminia dona de casa, ela me incentivou a voar alto. Voar altitudes que ela, em sua época, não pode voar.

Tenho muito orgulho do que minha mãe fez por mim, sempre me incentivando a estudar e a adquirir uma profissão. Ela sabia que isso faria diferença no meu futuro. Por isso mesmo, talvez, eu nunca sonhei em arranjar um gringo rico que me tirasse do meu mundinho medíocre. Primeiro, porque meu mundo jamais fora medíocre. Justamente, porque eu aprendi a conquistar tudo com meu próprio esforço e talento. Assim me ensinara minha mãe.

Quando contei para meu esposo que uma brasileira havia feito tal comentário, ele ficou tão indignado e me perguntou em que planeta a dita cuja vivia. E, sendo indiano, ele sabe muito bem como as mulheres de seu país, sobretudo do interior, são oprimidas e não gozam da mesma liberdade de expressão que nós temos. Ele mesmo disse:

– “Convida esta moça para vir à Índia e passar 4 dias, não mais que isso, lá na casa dos meus pais. 4 dias, só em casa, sem sair ou falar com ninguém. Só fazendo trabalhos domésticos e cuidando das crianças. Sem idas ao shopping, sem amigas para conversar, sem sua família, sem seu próprio dinheiro….ela não aguentaria 1 dia sequer! Tenho certeza!”

Princesas?? No Oriente M[edio também há várias princesas. Andam cobertas de ouro, não lhes falta nada material. Mas, elas não podem trabalhar fora, não podem ir contra a opinião de um homem, não podem fazer nem um terço do que nós, no Brasil, achamos tão normal e corriqueiro. E lutam bravamente para poderem exercer o mesmo papel que nós, através de muito esforço, estamos conseguindo exercer. O mesmo acontece aqui na Índia. Princesas?Princesas enjauladas? Princesas em gaiolas de ouro? Não, obrigada.

Justamente por saber tomar decisões e não ser deslumbrada com nada, eu escolhi um companheiro que valorize a mulher que eu sou. A mulher que trabalha fora, a mulher que honra o sacrifício feito por sua mãe, a mulher que não foge à luta…ou simplesmente…a mulher.

Moderno? Abençoado? Não. Ele é apenas humano. Humano o suficiente para saber que mereço o mesmo respeito que sua mãe, que nunca trabalhou fora, por exemplo.

Cada vez que uma mulher faz um comentário desses, eu fico com medo. Medo de pensar que ela não é uma exceção, e que deve haver muitas outras com este mesmo pensamento retrógrado.

Se você é destas que compartilha destas mesmas idéias da moça que citei no texto, por favor, eu a convido a se retirar do meu blog e canal, porque você não tem qualificação para entender. Nem a Índia e nem a mim. Volte para seu castelo, princesa!

por Banjara

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13 comentários em “As princesas perdidas

  1. Aaiaiii sabe o que não escrevi é que respeito a tradição de cada país, e que cada um deve estar onde está, depois fiquei pensando em ter escrito a palavra “folgada” é forte, pois sei que não serve para as mulheres, mesmo as que enxergam a vida diferente como esposas dedicadas, folgado é o ser que não trabalha e faz com que outros trabalhem em seu lugar, e estas mulheres esposas são batalhadoras e representam a luta pela nossa libertação em estudo, trabalho de forma coletiva. Minhas orações para esclarecer as pessoas que não compreendem outras culturas e por um lugar digno para todos viverem, sendo mulheres, crianças, idosos e homens. Gratidão Ju pelo espaço que nos sede aos comentários. Beijos fraternos.

    Namastê

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  2. Oi, Juliana, tudo bem? Li seu post e concordo em tudo com voce. Eu até já fiz algumas críticas sobre esse mesmo assunto e publiquei no meu FB. O último foi agora dia 10 de Novembro. Essa fama maldita de que as mulheres brasileiras tem lá fora de que são belas e fogosas, ‘adoradas’ (de onde surgiu isso, meu Deus!) pelos homens estrangeiros, fazem muitas mulheres se descabelarem em busca de um estrangeiro, fazendo tudo o quê eles querem…Elas acham que tudo serão flores, coitadas… Mulheres que não sabem nem falar e escrever o Português… usando o Google Tradutor…hahahahhahaha… Mas, quer saber? levante a cabeça e viva a sua vida. Deus te deu esse destino e Ele mesmo está ao seu lado te guiando em todos os teus passos, te protegendo e te amando mundo. Como se diz no popular, a inveja é a amargura de quem não suporta ver a felicidade do outro. Olha pra Deus e segue em frente, linda. Beijos pra voce!

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  3. ” O melhor marido é o seu emprego”, ouço isso sempre do meu pai e concordo plenamente…uma pessoa q faz esse tipo de comentário sonha em casar com um rico bocó pra ficar o dia inteiro sem fazer nd. Como seu marido disse: quero ver aguentar passar a vida lavando,passando ,cozinhando,cuidando de marido e de filho(s) . Só queria ver madame na pele dessas indianas reprimidas, ou das muçulmanas que vivem subjugadas .

    #paz

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    1. Verdade. Quero ver ficar o dia inteiro lavando, passando, fazendo comida para um batalhão e ainda só ver o marido de noite. Muitas indianas e muçulmanas reprimidas gostariam de estar no nosso lugar , trabalhando e tendo seu próprio dinheiro para gastar naquilo que bem entender.

      Já as folgadas acham que é luxo ter que pedir dinheiro ao marido até para comprar um absorvente.

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  4. Sem comentários …
    só uma dúvida: na Índia o povo também gosta de ser dono da verdade pra vida alheia como aqui? Sim, porque você olha pra vida da pessoa e não há nada que se admirar, mas a crituara acha que tem a solução dos problemas do mundo.

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  5. Como pode um absurdo desses! Essas pessoas não sabem nada da vida. Minha mãe sempre me diz “a profissão nunca irá te abandonar, ela estará com você a vida toda”.

    Você me inspirou um post.

    Essas são as sonhadoras que largam tudo para viver em gaiolas de ouro.

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  6. Que velha louca sem noção essa do comentario do youtube, Juliana! essa aí vive no tempo do onça ainda, só pode. Deve ser daquelas que depende do marido pra tudo e se um dia ele faltar não sabe nem se virar na vida. Triste ver mulheres tão machistas e sexistas desse jeito, e que querem impor pros outros essa maneira retrograda de se viver. Essa deve ser das tais que com 60 anos na cara ta no facebook mandando nudes e arrumando namorado virtual indiano, paquistanes, arabe, do qual ela nao sabe nada da cultura, deve achar que é Brasil. Deve ter uma vida infeliz e solitaria e ta enchendo o saco de quem tem um casamento feliz, é inteligente, estudada, atualizada, ela acha que a noção de casamento se resume a mulher dona de casa, recatada, escrava, alienada e o homem deve ser um rei. preguiça de gente desse nivel, concordo total com seu post. um abraço juliana!

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  7. Menina, não entendo como uma pessoa que tem a coragem de deixar um comentário ridículo desses tem a cara de pau de se considerar uma mulher!! É nítido que oq não falta na internet é mulher folgada e deslumbrada que acha que casar com estrangeiro é status e garantia de dinheiro na poupança! Mas o mais revoltante é ver como gente dessa natureza ainda se dá ao trabalho de defecar com a boca (pra não falar outra coisa) pra todo mundo ver. Cara, se não gosta do canal ou não concorda com a pessoa, não acessa e ponto. Nem liga pra gnt assim, Ju… pq gnt assim é infeliz e não consegue suportar a felicidade alheia.

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  8. Oiiiieee Juuu!!! Guria do céu (expressão de sulista brasileira), haha, que louco néh, eu admiro de mais você, queria eu ter a oportunidade de trabalhar e viajar assim, é tão inovador ainda pelo jeito, bem para mim o que faz além de importante nos mostra o lado que o mundo ainda é machista, e que as mulheres gostam de ser submissas, eu entendo você, ainda existem mulheres que não percebem que são estupradas quando fazem sexo sem ter vontade, ainda existem mulheres que aceitam e se calam….Cara até deu vontade de abolir o soutien depois dessa…hahaha…meus deuses, um país como o Brasil que tinha uma presidenta eleita (vamos deixar de lado o político e ver só o lado mulher), deve ter super apoiado a sua saída afinal ela estava deixando os afazeres do lar de lado. Sabe? eu penso um pouco diferente, ás vezes quando vejo algumas amigas minhas que trabalham muito e ficam pouco tempo com seus filhos, sinto um pesar, mas aí eu lembro de como ela batalhou para chegar onde está, e porque a mãe tem que dar mais atenção para os filhos? Ainda espero que isto mude, e graças que têm homens que lavam louça e ficam com os bebês. Mas a diferença é em vários locais ainda, exemplo: quando ainda recebo menos no trabalho por ser mulher, acontece, principalmente em cargos de diretoria, então super te apoio em defender sua vida e sua opinião, imagina estarmos vivendo ainda no tempo em que a mulher quer alguém que a sustente financeiramente e só…hahaha, sorry, não sabia que folgada mudou de nome para princesa!!! ❤

    Namastê

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