O indiano feliz

Feliz Ano Novo, pessoal!!!! Como foram de passagem de ano??

Aqui passamos bem. Comemos comida chinesa (na falta do peru…) e dormimos. Acordei à meia-noite com os fogos e a gritaria dos vizinhos lá embaixo, que estavam festejando. Isto, claro, além da música nas alturas. Mas, o bom das festancas indianas é que elas sempre terminam, no máximo, à meia-noite.

Vocês devem estar pensando o porquê do tema do post ser “o indiano feliz”, mas eu me inspirei em um “causo” que aconteceu ontem, aqui em casa, para escrever.

No final da tarde, minha campainha toca. Quando fui ver, havia um menino entregando doces. Eu imaginei que alguma comemoração estivesse rolando, já que quando algo bom acontece, as pessoas costumam distribuir doces por aqui. Aí, ele falou algo que não entendi e eu disse: – “Desculpe..não entendi o que você falou. É que eu não sou daqui. “

laddu
Então, sem saber o que fazer, ele olhou para o outro apartamento cuja porta estava aberta e, um homem apareceu. Aí, eu expliquei que não tinha entendido o que ele tinha me dito e que não era daqui. Imediatamente, o homem abriu um sorriso e disse: ” No problem, madam. I had a boy!! I had a boy!!! Sweets, sweets!” (indicando que ele estava me dando os doces em “comemoração” ao nascimento de seu filho).

ganga

Sua alegria era tão contagiante, que eu o parabenizei em hindi e inglês. Ele ficou tão feliz que até apertou a minha mão (algo que achei muito estranho, por sinal. Ele não apertaria a mão de uma indiana. Mas, talvez tivesse apenas tentando ser ocidentalizado pois deve ter visto em algum filme que os ocidentais apertam a mão quando parabenizam). Fiquei feliz por ele e achei muito interessante aquela distribuição de doces para todo o prédio para comemorar o nascimento do….menino!

Foi aí que eu parei e fiquei pensando comigo mesma: “Tanta alegria. E, ele fez questão de dizer ” eu tive um menino!”Será que ele seria tomado da mesma alegria contagiante caso tivesse uma menina?”.

indianbabygirl

Meu marido deu a resposta que eu precisava ouvir: “Claro que não!Olha só pra eles!”. 

Eu sei que eu penso demais às vezes, mas juro que fiquei pensando nisso por várias horas. Não ininterruptamente, mas este pensamento me vinha várias vezes a cada hora.

Pelo visto, parece que ainda estou pensando nisso, já que estou escrevendo este artigo. Depois, imediatemente, me veio a imagem da minha sogra, que sempre sonhou em ter uma menina e nunca teve. Hoje, ela diz que tem duas: eu e minha cunhada. Mas, ela ainda está na expectativa de que a 1a menina da família venha desta que vos escreve.

Indian baby girl licking her hand

Mas, senti um pequeno comforto, ao pensar que minha família quer tanto uma menina. E o quanto esta menina seria bem-vinda e amada em um país cuja tradição ainda insiste em exclui-las.
babygirlcute
Para resumir este artigo, deixe com vocês este incrível trailer do documentário ” It’s a girl“.

por Banjara

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13 comentários sobre “O indiano feliz

  1. Complicado! Esse assunto me assusta desde a primeira vez que li sobre, há muitos anos atrás, e quando um indiano começou a falar comigo pela internet, eu tinha muitas curiosidades sobre isso mas eu não tinha coragem de perguntar, mas um dia perguntei se ele queria ter filhos, e ele respondeu que sim, apenas uma menina, o que me aliviou a alma de não estar falando com um possível apoiador dessa pratica cruel, rs, mas já vi no facebook páginas de indianos contra essa prática, tinha até uma campanha de exposições de fotos de pais orgulhosos mostrando suas filhas, achei legal. Beijos e feliz ano novo!

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    1. Sim!!!Gracas a Deus, hoje ha um despertar muito grande na propria India para salvar as meninas, ainda mais porque depois, os meninos nao tem com quem casar, como acontece em varios vilarejos do pais. Mas, mais do que isso, ja esta na hora de as mulheres pararem de ficar so na sombra dos machos e ter seu lugar ao sol! Um abraco!

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  2. Oi Ju! Penso que filhos são bênçãos independentes de sexo, mas como a Índia é um Pais de cultura diferente, fica um pouco difícil de entender o que cada um pensa em relação a esse assunto. Mas mudando de assunto, em relação a Vc, quando vier seu bebê seja menino ou menina tenho certeza que será muito abençoado pois terá uma mãe maravilhosa.

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  3. Oi Juliana, quando nasceu a filha (isso mesmo, uma menina) de um casal de amigos de meu marido ele me ligou chorando de felicidade igual uma criança e os amigos deram até festa, o que pra mim é uma surpresa, porque o Punjab é um dos Estados que mais sofreu com o desequilíbrio entre meninas e meninos. Por isso acredito quando você fala do desejo de sua sogra.

    Infelizmente a preferência pelos meninos ocorre muito na Ásia e Oriente Médio e nesse caso independe do dote, porque a gente sabe que no mundo islâmico quem dá o dote é o homem, mesmo assim eles pensam na continuidade do nome da família e religião, e para eles só o homem é capaz disso. Aproveitando o gancho, eu falo isso porque já vi mulheres comentando sobre a Índia mas vivem de namoro na internet com homens de outros países , inclusive do Egito e redondezas achando que por não existir dote isso não acontece. Aí elas dizem “eu tive uma menina e fui tratada como uma rainha pelo meu marido”..pois é, e se o primeiro filho fosse homem você teria sido tratada como uma deusa. É a realidade, culturas diferentes, pensamentos diferentes. Desculpe me prolongar tanto nesse assunto, mas fica o meu alerta.

    Beijos

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    1. Obrigada, Star. Eh verdade…a maioria das mocas nem pensa nisso quando se envolve com um cara das bandas de ca! Na verdade, elas nao pensam em nada, eu acho, so na parte exotica e legal de conhecer outra cultura. Ontem mesmo eu estava conversando com uma brasileira que mora aqui e ela me disse que quando estava gravida, muitas pessoas chegaram pra ela e disseram: “Parabens!!Estou rezando para que seja um menino!!”. Ela eh mae de uma menina linda.

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  4. Oi Juliana, adorei o tema! E que amor essas fotos desses bebezucos fofos que você colocou no post. 💕 Ao ler o seu texto me lembrei daquele documentário “India’s Daughter” onde os pais da moça que foi brutalmente violentada contam o quanto ficaram felizes com o nascimento da filha, saíram distribuindo doces e as pessoas não entendiam e até os questionavam o porquê de tanta felicidade, pois, afinal, não havia nascido um menino. E fiquei pensando também no tanto que essa moça superou os esteriótipos, pois além de ter uma origem hiper humilde quis que o pai usasse o dinheiro reservado para o seu casamento, para pagar seus estudos, além de trabalhar muito para alcançar seus objetivos, desejava dar uma vida melhor aos seus pais, que acreditaram tanto nela e em seu potencial, muito triste ela não estar viva para concretizar os seus sonhos. Torço muito para que seja superada essa diferença no tratamento de homens e mulheres desde o nascimento e que as mulheres sejam valorizadas. Beijos.

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    1. Oi, Natalia!!!Feliz Ano Novo!!Pois eh..eu tambem assisti o India’s daughter e cheguei a chorar de tanta revolta por alguem ter destruido os sonhos de uma menina. Sinceramente, acho que ainda vai demorar muitos anos para erradicar esta tradicao. O primeiro -ministro tambem lancou uma campanha ano passado justamente falando para os pais valorizarem suas filhas, porque elas podem ter um grande futuro amanha. Mas, ate agora…so campanha mesmo. Mudando de assunto…sim, os bebes do post sao fofissimos, ne??? Cada um mais lindo que o outro!!!

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  5. Ai Ju, agora sou eu que ficarei pensando nisso várias vezes durante o meu dia. A diferença no tratamento já começa desde o nascimento… não deve ser muito fácil nascer mulher na Índia. Embora eu acredito também que talvez as indianas não consigam ter esse mesmo olhar que nós ocidentais temos, já que estão imersas na cultura e desconhecem como é viver sob um tratamento diferente. Corrija se eu estiver errada. De qualquer forma, estou feliz por saber que sua família deseja muito uma menininha. Assim, caso você seja abençoada com uma Jujuzinha, ela será muito amada.

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    1. Oi, Helena!!Sim!!!Eh verdade…muitas delas nao conseguem enxergar a realidade ou ter o olhar que nos, que estamos de fora, temos. Eh bem complicado e, o jeito como elas criam e idolatram os filhos (homens) eh algo que ainda me incomoda muito.

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