A difícil tarefa de ser mulher, branca e solteira na Índia

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O assunto “segurança ou situação das mulheres estrangeiras na Índia” já ganhou vários posts aqui no nosso blog. Porém, hoje, eu venho compartilhar uma estória de uma pessoa bem próxima, européia, moradora de Mumbai, independente, inteligente, mas com dois “defeitos” para a sociedade local: já tem mais de 30 (quase 40) e é solteira.

Apesar de gostar de morar aqui, de estar aprendendo o idioma local, de adorar viajar pelo país e conhecer mais a cultura, ela acabava enfrentando situações nada agradáveis junto aos indianos.
Para começar, o fato de ela ser solteira incomoda a todos a ser redor. As mulheres, no mínimo, devem achar estranho ou pensar que ela é lésbica. Os homens, por sua vez, a consideram uma mulher frívola e que por não estar casada até hoje, significa que está somente à procura de aventuras sexuais.

Gente, só um aviso: apesar do calor da peste que faz aqui, não dá para se vestir assim.
Gente, só um aviso: apesar do calor da peste que faz aqui, não dá para se vestir assim.

Ser abordada nas ruas por estranhos já virou fichinha para ela, mas as piores situações que essa moça tem que enfrentar são em seu local de trabalho, onde todos são indianos, pessoas formadas com mestrado e a maioria com Phd, mas ainda carregando valores ultrapassados os quais nem todo o seu nível educacional conseguiu apagar.
Um dos casos mais recentes e chocantes foi o fato de um professor chegar para ela e dizer que estava escrevendo um roteiro de um filme. Como ela gosta muito de cinema, ela mostrou interesse e perguntou mais detalhes.

Ai, ele completou: – “Bem, eu pensei em um papel para você! Você vai ser a prostituta!”

Qual foi a reação dela? Nenhuma. Ficou sem palavras diante de tal declaração. E o que isso mostra? Bem, mostra a mentalidade da maioria dos indianos, os quais consideram as mulheres ocidentai fáceis e abertas para qualquer proposta indecente.
Não é raro ver diálogos em novelas e filmes indianos ou paquistaneses com as seguintes frases:
– “Pois é..eu me casei com uma americana. Me avisaram, mas eu não ouvi e, olha aí no que deu: divórcio. Agora meus pais estão procurando uma noiva para mim.
ou
“Veja como você está vestida! Que indecente!Está parecendo uma gringa!”

Entre outras pérolas as quais são ditas sem o menor constrangimento neste tipo de programa, simplesmente porque é assim que 98% do povo pensa.
Minha amiga gosta daqui, mas volta e meia ela tem crises em relação ao seu próprio valor como mulher. Num desabafo, ela disse que até queria ficar mais, mas depois de todas estas experiências, não consegue imaginar o futuro dela aqui na Índia. Para ela, é na Europa onde ela vai continuar sua carreira e levar a vida adiante, já que lá ela se sente segura como mulher e como professional.
É triste ver esta situação e ver as pessoas julgando alguém simplesmente baseado em suas tradições, sem conhecer as tradições da tal pessoa e sua história de vida.
Até comentei com um aluno japonês sobre estes eventos e disse que eu me sentia muito bem e segura aqui, mas que não podia tapar o sol com a peneira, já que não é assim com todas as estrangeiras que decidem vir morar ou trabalhar aqui.
Meu aluno, então, me disse algo que fez todo o sentido:

– “Você não encontra nenhum problema e as pessoas se achegam a você porque você tem aquilo que para eles seria a condição para uma mulher ser respeitada na Índia: você tem um marido e, ainda por cima, indiano!

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Não sei se as outras esposas de indianos sentem e enfrentam a mesma coisa, mas ele resumiu perfeitamente a mentalidade da sociedade indiana com tal declaração.
O objetivo deste post não é fazer com que você, moça, desista de vir aqui, de passear, de viajar ou seja lá o que você queira fazer, mas sim, fazer com que todo mundo saiba onde está pisando e até onde aguenta antes de mergulhar de cabeça na Índia.

Um abraço e até a próxima!
por Banjara Soul

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4 comentários sobre “A difícil tarefa de ser mulher, branca e solteira na Índia

  1. Agora que eu percebi, realmente em Mumbai a coisa está assim, nos resto da Índia deve ser pior. Eu vejo pelo povo punjabi que conheço aqui no Brasil, é um povo que viaja, pessoas que moram anos fora da Índia mas a cabeça continua a mesma. Eles se preocupam com cada bobeira…também acho que é algo pessoal mas se aqui no Brasil o povo já se intromete…essa indiana aí é bem corajosa, a maioria só tem coragem de fazer essas coisas como tatuGem quando moram fora da Índia.

    Outro dia vi um vídeo de um casamento e de repente percebi que um parente dos noivos vestia terno mas parecia mulher. Meu marido não acreditou, até que olhando bem ele percebeu que era mulher, ou seja, uma indiana lésbica de cabelo curtinho e terno. Aí meu marido falou que não percebeu porquê na Índia não tem isso, mas a família era rica, morava em Londres e só foi para a Índia para fazer o casamento do parente ela não se sentiu intimidada em assumir isso na Índia.
    Beijos!

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  2. Que chato, não pensei que sobrava até para As estrangeiras. Eu sabia que isso acontece porque meu marido sempre me falou que uma pessoa que passa dos 30 e solteira sofre preconceito, dizem-me é gay e tal. Temos a irmã de um amigo que joga chegou nos 30 e ainda está solteira, e toda vez que falam dela falam com pena como se ela fosse uma coitada. Eu perguntei porque tinham pena dela e meu marido falou ” porque agora ela não casa mais” ele quis dizer, que nessa idade ninguém quer. Ainda não assimilei tudo isso, é muito estranho para os dias de hoje essa corrente de pensamento.
    Abraços!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Star!!!Obrigada pelo seu comentario!!! Sim…se a situação está assim em uma cidade como Mumbai, não quero nem imaginar no resto do país!Outro dia conheci uma indiana super independente, trabalha, viaja sozinha pelo mundo, tem uma tatuagem enorme no braço, bebe e, é solteira. Nunca perguntei, mas imagino os conflitos e a pressão que ela não deve passar em casa, já que ainda vive com os pais. Eu sempre achei que casamento e filhos são a opção de cada um e não uma obrigação perante a sociedade.

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      1. Agora que eu percebi, realmente em Mumbai a coisa está assim, nos resto da Índia deve ser pior. Eu vejo pelo povo punjabi que conheço aqui no Brasil, é um povo que viaja, pessoas que moram anos fora da Índia mas a cabeça continua a mesma. Eles se preocupam com cada bobeira…também acho que é algo pessoal mas se aqui no Brasil o povo já se intromete…essa indiana aí é bem corajosa, a maioria só tem coragem de fazer essas coisas como tatuGem quando moram fora da Índia.

        Outro dia vi um vídeo de um casamento e de repente percebi que um parente dos noivos vestia terno mas parecia mulher. Meu marido não acreditou, até que olhando bem ele percebeu que era mulher, ou seja, uma indiana lésbica de cabelo curtinho e terno. Aí meu marido falou que não percebeu porquê na Índia não tem isso, mas a família era rica, morava em Londres e só foi para a Índia para fazer o casamento do parente ela não se sentiu intimidada em assumir isso na Índia.
        Beijos!

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