Os efeitos da Índia na personalidade de uma pessoa

Olá, pessoal! Este post já havia sido escrito antes de eu ir ao Brasil, mas devido a falta de tempo antes da viagem, acabou ficando sem ser publicado.

Bem, há muito tempo, eu li num blog de alguma estrangeira européia que morava na Índia, que ela tinha se tornado muito irritada e briguenta na Índia, agindo algumas vezes, de forma que ela mesma não se reconhecia.

E, eu lembrei deste post quando percebi o mesmo efeito acontecendo comigo. Quem me conhece sabe que eu sou tranquila, trato todo mundo com educação e NUNCA, NUNCA parto para a baixaria. Ainda mais depois de morar no Japão, onde tudo é dito sem ser dito, naquela sutileza, onde você precisa ser quase um mestre dos magos para saber o que está acontecendo e o que se passa na mente deles. Porém, Japão se foi e a Índia chegou.

namaste

Muita gente pode até ainda achar que a Índia é só meditação, yoga e muito mergulho no Ganges. Ledo engano! Não que o povo seja estressado. Eu acho eles até calmos demais para algumas coisas. As filas aqui são enormes e eles esperam pacientemente. Tudo acontece em ritmo muito lento para o meu gosto, mas eles parecem não se incomodar. As pessoas geralmente andam devagar demais na rua e isso me deixa estressadíssima, mas eles parecem pouco se incomodar. Os trens e metrôs lotados me deixam super de mau-humor, mas eles parecem estar tão acostumados e sempre acham que cabe mais um.

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Onde morava antes, no terreno atrás do prédio, era tanto lixo que os ratos proliferavam, mas ninguém se incomodava. Onde moro agora, pelo menos, quando vejo os ratos, eles já estão devidamente mortos e envenenados e não passeando e invadindo as casas como no outro bairro, o qual, diga-se de passagem, é um bairro nobre! Visto por este ponto, os indianos são realmente muuuuito calmos. Ou, será que eu fiquei estressada depois de ter morado tanto tempo no Japão onde tudo funciona e tão sistematicamente? Olha, para falar a verdade, acho que os dois, viu?
Mas, algumas vezes, a atitude indiana diante de certas situações me faz ter que descer das tamancas. Bem, uma delas é o fato de furar filas. Sempre e em todo o lugar. Já contei aqui o caso do Starbucks onde fiquei super estressada com o pré-adolescente-filhinho-de-papai que queria furar a fila bem na minha frente! Mas, depois deste caso, muitos outros seguiram e eu vi que a Índia tinha me mostrado uma nova faceta de mim mesma e a quase nunca eu fui obrigada a usar: a Juliana brigona.

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Isso tudo ficou mais latente depois que montei meu negócio de tradução e outros serviços linguísticos e comecei a lidar com os indianos diretamente. Depois de duas experiências amargas em parceria com cursinhos de idiomas, eu decidi que não ia mais aceitar nenhuma aula ou parceria com eles. E, continuo seguindo esta posição. Mas, até então, eu tive que rodar a….indiana! Cobram uma fortuna dos alunos e só passam para você uma quantia mínima, vergonhosa. Não oferecem nenhum material e o professor precisa providenciar tudo, não pagam passagem etc, etc. E, o que mais me estressa: Falam uma coisa e fazem outra! Algo que, para mim, é inadimissível!!!!
Aí, comecei a lidar direto com os clientes. Eles pedem desconto pra tudo e sempre querem levar vantagem em toda e qualquer situação!!!Sempre! Até em cima da própria família, dependendo do grupo étnico e da casta a qual pertençam. Ou seja: um stress só e muuuuuita discussão, meetings e intermináveis trocas de email para fechar o negócio. Como é difícil arrancar dinheiro de um indiano, gente!

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Outra coisa que me estressa é que antes de qualquer trabalho, seja aula de idiomas ou tradução, eu sempre faço um contrato e só após ele ter sido lido e assinado devidamente é que os serviços começam. Da última vez, como a empresa correndo atrás e insistindo para começar logo as aulas, eu decidi começar antes do contrato ser assinado por eles, mas insisti que deveria ser entregue na 1ª semana de aula e, esta também era a condição de pagamento. Bom, foram mais de 2 semanas e a moça do RH sempre tinha um estória pra contar. Aquilo já estava me estressando. Depois, dizia que meus emails não estavam chegando. Começou a me enrolar. Aí, há umas duas semanas atrás, eu simplesmente surtei e mandei um email para ela e inclui todos os alunos, informando que não iria continuar com as aulas caso o contrato não fosse devidamente assinado e o pagamento liberado. E, esculachei a falta de professionalismo dela de forma bem elegante, mas sempre dizendo a verdade e bem direto na ferida. Na manhã seguinte, ela me liga correndo e diz que algum mal entendido deve estar acontecendo e, daquele dia em diante, parece que ela resolveu trabalhar direito. Ontem foi o último dia do curso e, ela apareceu lá, com a segunda parcela do pagamento e com um sorriso no rosto, do jeito que deve ser.

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Depois dessa e outras lavações de roupa suja com clientes indianos, eu cheguei à triste conclusão de que eles só funcionam na base do terrorismo! Tratar com muita educação e formalidade, do jeito que sempre fiz, parece que não funciona e eles te acham com cara de palhaça. Então, o negócio é rodar a indiana e aí, a coisa funciona! Não entendo o porquê disso, mas graças a estes percalços, eu ganhei uma nova faceta e percebi que passei a reclamar mais diretamente quando algo não me agrada. Afinal, sutileza e educação era melhor ter deixado no Japão! Ih!Até rimou!

Só meditando, viu?
Só meditando, viu?

Além do fator dinheiro, há também a falta de sutileza das mulheres ao entrar ou sair de qualquer veículo público. Cotovelada, empurrão, chute…vale tudo para conseguir entrar no trem, metrô ou ônibus, sempre lotados, de Mumbai. Nessa brincadeira, eu consegui sair do trem e meu guarda-chuva ficou e eu também perdi um colar de ouro que estava dentro da bolsa e deve ter caído nesse oba-oba todo. Eu achava um horror ter que empurrar uma senhora ou qualquer outra pessoa, mas aqui é a lei da sobrevivência e se você não empurra, fica sem trem.

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E, quem quer chegar atrasado? Ninguém, né? Hoje, depois de muito stress, eu evito pegar o trem, mas quando vou encontrar minhas amigas ou vou para minha aula de Hindi, é a única e rápida opção para se chegar nos lugares. Aí, eu já acordo com espírito de batalha! Mesmo tendo carro, muitas vezes, devido ao trânsito caótico de Mumbai, a melhor opção ainda é o trem. Toda vez que entro no trem lotado eu lembro do filme O Gladiador ou 300!

E que venham os trens de Mumbai!
E que venham os trens de Mumbai!

Mas, como tudo é um grande aprendizado na vida e a gente precisa se adaptar aos locais, pessoas e situações para conseguirmos atingir nossos objetivos, eu não me arrependo nem um pouco de estar na Índia e estar aprendendo a ser mais guerreira, para não dizer barraqueira!

Um abraço a todos!!!
por Tabibito

 

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