A nova geração de indianas

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Se você sempre teve idéia de que as indianas eram submissas, dependentes, frágeis e exíminas donas de casa, precisa bater um papo com as jovens, principalmente as das grandes cidades, como Mumbai.
Desde que cheguei a Mumbai, alguns comentários das indianas têm me feito vê-las de uma forma bem diferente.
Como já compartilhei aqui no blog, em meus primeiros meses de Índia, morei em um famoso distrito do estado de Uttar Pradesh, ultra conservador e machista. Tanto as mulheres da minha família como as minhas vizinhas, todas são exíminas donas de casa, cozinham maravilhosamente bem, cuidam dos filhos, dos maridos e praticamente nunca saem de casa. No máximo, vão até o mercado ou à costureira. Afinal, também não há mais nada além disso para se fazer lá. Essa é a vida a qual elas estão acostumadas e, são muito felizes assim.
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Quando anunciei para minhas vizinhas que estaria me mudando para Mumbai para trabalhar, muitas ficaram assustadas e perguntaram: – Mas, porquê?? Você não está feliz aqui?
Bem, tem vezes que não vale a pena explicar muito, porque as diferenças culturais são grandes demais, então, eu sempre dava uma desculpa qualquer.
Bem, essa é a mentalidade de muitos locais no interior deste país.
Até aí, tudo bem. O que me assustou mais foi outro dia, quando estávamos, em Mumbai, em numa reunião com os novos membros da empresa. Cada um deveria se apresentar e dizer no final, 3 coisas que gosta e, dentre essas, uma seria mentira e teríamos que adivinhar qual era.
1ª participante:
Bem, eu adoro ler, viajar e cozinhar!!!
A maioria de nós apostou que ela detestasse ler. Alguns outros apostaram que ela detestava viajar. Mas, quase ninguém levantou a mão para a última opção, a qual, na verdade, era a resposta correta.
Chegou a outra candidata:
Ai, gente, eu adoro pintar, ouvir música e limpar a casa.
Desta vez, já começamos a ficar espertos. A maioria levantou a mão para a última opção, a qual, mais uma vez, estava correta.
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E, dentre mais de 10 meninas, praticamente todas mencionaram que simplesmente DETESTAVAM limpar a casa, cozinhar e fazer todas aquelas coisas que se espera de uma mulher. Quando chegou a minha vez, bastante aliviada por ver a sinceridade da mulherada,também confessei que não gostava de cozinhar e nem de fazer as coisas em casa.
Essa semana, na cozinha do escritório, outra menina fez a mesma declaração quando lhe perguntei se aquele prato com aparência tão apetitosa tinha sido feito por ela. – No way! I hate to cook! We have someone to cook for us!
-Noossa…foi mal aí, hein!

Mas, depois me peguei pensando em como somos criadas em uma sociedade machista, seja no Brasil ou na Índia, pois se não sabemos cozinhar, cuidar da casa e sentir prazer fazendo estas coisas, é como se você não fosse digna de ser uma mulher. Percebi isso quando hesitei na hora de soltar o verbo e dizer que detestava ser Amélia e que não recebi uma criação para tal papel.
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Pois é, gente!Que lavar louça que nada!Eu gosto é de escrever!!!Kakaka…
Um abraço e até a próxima!
by Tabibito

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5 comentários

  1. Eu acho que para as indianas pensarem assim muito depende do marido, o exemplo que elas vêem dentro de casa, etc. Quando o marido reconhece as qualidades da esposa, seja dona de casa, seja como companheira acredito que tudo se torna mais prazeroso. Mas quando o marido não reconhece nada ou elas cresceram vendo as mães sendo tratadas como robôs que só limpam e cozinham, aquilo gera um pensamento de “eu não vou ser assim, não vou levar essa vida, eu não mereço isso”.
    Meu sogro sempre falava para meu marido nunca se casar com filha de coronel, capitão, etc porque ele dizia que são mulheres que, não gostam de fazer nada porque viveram no meio de muitos empregados então elas estão acostumadas a ter sempre alguém que faça as coisas para elas, se é verdade eu não sei, mas era o pensamento dele rs
    Abraços!

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  2. Não gosto de fazer nada por obrigação, mas sim de fazer quando tenho vontade. Coisa mais terrível que existe: você morrendo de preguiça, cansaço e não querendo fazer M nenhuma, mas ter de levantar o corpinho e se mexer.

    Quanto às indianas, conheço os dois lados da moeda, tanto aquelas que só vivem para o marido, os filhos e os afazeres domésticos quanto aquelas que fizeram carreira e não têm nem capacidade de pegar um copo de água sozinhas.

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