A mulher brasileira na Ásia – Parte final

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  Aproveitando que hoje é o Dia Internacional das Mulheres, embora aqui no Japão essa data quase não seja lembrada, gostaria de terminar a série de posts A mulher brasileira na Ásia.
Como nós vimos nos posts anteriores, a nossa fama é, sim, horrível, e, por mais que a maioria não seja do grupo das piriguetes, elas acabam pagando o pato.
  Mas, então, como se fazer respeitar? Como se adaptar numa sociedade machista? Como se relacionar com um homem machista?
  Para ganhar o respeito e se adaptar a uma sociedade machista, primeiramente, você tem que se dar ao respeito. Demora? Muito! Demora sim, mas não é impossível. Tanto que já faz muito tempo que não ouço piadinhas a respeito do Carnaval e das mulheres semi-nuas,.
  Mas, quem teria mudado? Eu ou eles? Talvez, mais eu do que eles mesmos. Como já comentei em outros posts, eu sempre me vesti de forma discreta e nunca gostei de mostrar o corpo. Então, em relação a vestimenta, não tive muitos problemas. No dia do meu casamento no cartório, uma das testemunhas, um indiano, me disse uma coisa que me marcou. Ele perguntou o que eu estava achando da Índia. Eu disse que estava gostando muito e que todos eram muito gentis comigo e me respeitavam muito. Aí, ele disse: “O jeito que você será tratada depende do seu comportamento e do jeito que você trata as pessoas.”
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 Parece um pouco forte, mas depois fiquei pensando nessa frase e vejo que ele tem razão sim. É o famoso se dar ao respeito, se colocar no seu lugar. Muitas vezes, claro, você terá que mudar alguns hábitos. Por exemplo: Se você estava acostumada a ficar de conversinha com os rapazes no Brasil ou sorria para eles (mesmo sem maldade, numa boa!), ou tinha mania de tocá-los ao conversar….esqueça!  Você está na Ásia e se fizer isso, será muito, mas muuuuito mal interpretada. Portanto, há sim que abdicar de alguns hábitos para adquirir outros.
  Mas, garanto que o resultado será muito bom! Aos poucos, eles vão começar a ver que você não segue e não tem nada a ver com aquele estereótipo de Globeleza que eles imaginam. Por mais que eles ainda tenham esse estereótipo em relaçao à mulher brasileira, eles vão olhar para você e ver que você é farinha de outro saco. Tempos depois, eles vão começar a ver qualidades em você e comentar. Vão começar e ver quem você realmente é: uma mulher bonita, preocupada com o visual sim, mas, acima de tudo, uma mulher inteligente, distinta e que merece e deve ser respeitada.
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  A mudança é recíproca: assim como você abdica de certos velhos hábitos para adquirir novos, eles também vão criando uma nova imagem em suas mentes. E, o melhor de tudo: isso tudo, naturalmente, sem forçar.
  Tinha uma amiga brasileira aqui no Japão extremamente feminista e que respirava feminismo dia e noite. Ela via machismo em tudo que era situação, até mesmo nas quais para nós, simples mortais, pareciam comuns ou, pelo menos, não tão graves assim.
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   Ela estava se tornando uma pessoa insuportável, estressada e de mal com a vida. Não deu outra: Ela não aguentou e voltou pro Brasil. Então, com isso a gente percebe que se você so pensa que eles são machistas, se isso se torna uma obsessão e você só consegue se focar nisso, nunca, nunca mesmo será feliz e respeitada. De repente, eles até te respeitam, mas você só consegue olhá-los com maus olhos ou, com a visão de mundo que você sempre teve. E, nós sabemos que a nossa visão de mundo não é sempre a melhor e nem a mais correta.
   Falo por experiência própria, pois já ouvi muitas atrocidades sobre as brasileiras e ocidentais num geral aqui na Ásia. E, fico feliz, porque, pelo menos aqui no Japão, nesses 6 anos, eu consegui me dar ao respeito, ser respeitada e reconhecida por outras qualidades e não pelo tamanho do meu quadril ou seios.
   Isso, para mim, com certeza, é uma vitória. Uma vitória como mulher e profissional.
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   E….Feliz Dia Internacional da Mulher para todas nós!!!!
  diadamulher
  Um abraço e até a próxima!
  by Tabibito
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2 comentários

  1. Mulher brasileira tem que aprender a se respeitar sim. esse papo de femista é tão sem noção.
    Nem vem xingar ou metralhar, comece enxergando a realidade, aceita que nossa imagem não é boa mesmo.

    Não sou hipócrita, as coisas estão sem limites mesmo.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Meio estranho ver um texto assim homenagiando o dia da mulher..me parece que vc está justificando o machismo destes povos e condenando o feminismo,reação mais do que justa da sua amiga,ainda mais no país que vc citou.

    Tenho contato direto com cultura japonêsa,a amiga sabe mesmo das atrocidades que os japonêses fazem com as mulheres,ou será que só porque ela não a experimentou que tais atrocidades não existem,ou melhor,é responsabilidade da mulher evitá-las?

    Não vejo vitória alguma no que vc descreveu,apenas uma adaptação,tanto que vc mesma descreve que a sociedade deles é machista e tem que aturar piadinhas,mas condenou sua amiga por se revoltar sempre contra tal sociedade,ou seja, mulher se revoltar contra tal coisa para vc é errado.Não vejo nada vitoriso e nem mesmo relacionado com o 8 de março,apenas o relativismo cultural que sempre foi utilizado para nos calar e defender machismo.

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