Existe preconceito no Japão? – Parte 1

    Essa é outra pergunta que muita gente me faz. Se eu disser que não existe, estou mentindo. Tem sim, e muito. Tem, inclusive, entre eles mesmos. Infelizmente, como eles tentam padronizar tudo aqui, aquilo que é considerado diferente do padrão, automaticamente é rechaçado.

Há inúmeros casos de locais onde estrangeiros são proibidos de entrar, (sendo que eu mesma já passei por isso 2 vezes), muitas pessoas não querem sentar do seu lado nos trens e ônibus mesmo que o único local vazio seja o do seu lado, etc. São muitas coisas que estressam e fazem que toda aquela polidez e formalidades japonesas caiam por terra.

Mas, antes de entrar na parte pesada da coisa, vou falar sobre algo que realmente chama a atenção por aqui. Ontem fui no salão dar um jeito na juba e, diante das trocentas revistas que colocaram na minha frente, a idéia para este post surgiu. Sim! Porque o que mais tinha na revista eram fotos de modelos estrangeiras, sendo muitas delas, até brasileiras.

Como eu disse, os japoneses adoram padronizar tudo e excluir aquilo que é diferente do padrão. Porém, ao mesmo tempo, ele são loucos por coisas diferentes e novidades!

Porque então num país onde há tanto bullying,inclusive nos locais de trabalho, há tantos estrangeiros na mídia? Acho que já tenho a resposta: Deve ser porque esses artistas são como objetos de consumo para eles,né? Sendo assim, vale! É que nem o que acontece com a maioria dos americanos e falantes nativos de inglês: só serve para dar aula em cursinho ou escola. E isso, claro, sob a supervisão de um professor japonês que diz que fala inglês e na maioria dos casos,não manja nada do assunto!

Mas, antes de a gente começar a pegar pesado, vou apresentar para vocês os rostos mais famosos das modelos que fazem a cabeça de 10 entre 10 mulheres japonesas!Aliás, no famosíssimo Tokyo Girls Collection, 80% das modelos são modelos chamadas de haafu (Half), ou seja: Metade japonesa, metade estrangeira. Aaai…eles são ótimos para criar expressões deste tipo. Outra expressão bem usada ultimamente é a tal da Kuootaa, que vem do inglês “quarter”. Ou seja: filhos de pais mestiços. Eu não suporto essas nomenclaturas e no Brasil o povo também adora classificar em negros, mulatos, pardos, morenos, descendente afro-brasileiro, etc. Que diferença faz? Todo mundo faz xixi, cocô igual e quando morrer vai para o mesmo lugar. Esse assunto sempre faz meu sangue subir. Mas, até que eu já fiquei beeem mas paciente depois de tanta atrocidade que já vi nesses anos de Japão.Falando assim, até parece que eui não gosto dos japoneses. Gosto sim, e eles já me ajudaram nos momentos mais cruciais daminha vida.Mas, o que eu não gosto e não aceito é a forma como eles são ensinados a pensar.

Bem, vamos às modelos-produtos que os japoneses adoram e que estampam a maioria das revistas de moda aqui.

Angelica Michibata – Mãe japonesa e pai argentino
Kana Ooya – Mae brasileira e pai descendente de japoneses
Kelly brasileira – mãe brasileira e pai descendente de japoneses

Trindle Reina- Pai austríaco e mãe japonesa
Hasegawa Jun – Nascida no Havai. Mae japonesa e pai americano.
Emi Renata – Brasileira – Pai descendente de japoneses e mãe descendente de italianos
Anna Tsuchiya – Mãe japonesa e pai americano descendente de poloneses

A lista não pára por aí, incluindo a Rora, o depressivo Kurihara Rui (veja nossos posts mais antigos), entre outros. Repararam que não há nenhuma modelo mestiça de negros com japoneses? Aliás, temos a Crystal Key, que até fez relativo sucesso durante algum tempo e fala japonês fluente. Mas, sempre ficando meio de fora. Aoyama Thelma também emplacou um grande hit em 2007 e ficou por aí. Até mesmo a Utada Hikaru, que nem mestiça, é 100% japonesa, só porque foi criada nos Estados Unidos,  foi severamente criticada na tv por não saber falar o japonês formal, quando fez suas primeiras aparições. Para não dizer que não temos negros no mercado japonês, temos o Bobby, que é nigeriano e participa de vários programas de comédia. E, o rapaz que faz o anúncio da Softbank, que esqueci o nome, mas que é negro, americano e mais parece um japonês quando entrevistado. Quem já viu sabe que não estou mentindo.

Bobby Ologun

E aí? Depois de ver tantos estrangeiros fazendo sucesso no Japão, você acha que o Japão é um país fácil para os estrangeiros viverem? Deixe um comentário aqui!Um abraço e até a próxima!

Anúncios

5 comentários sobre “Existe preconceito no Japão? – Parte 1

  1. Até mesmo no Brasil eles são assim. Conheço executivos japoneses(as) e muitos deles continuam agindo assim. Quando veem um moreno/mulato/negro de roupa social/terno ou tem um ataque de riso ou uma cara de repulsa muito grande, quase um desconforto gigante, uma afronta… Sendo que nós brasileiros também zoamos, então fica no elas por elas.

    Curtir

    1. Olá, Edson!Puuuxa..que triste isso aí que você comentou, da reação dos japoneses. Aqui eles vivem me perguntando sobre os meus ancestrais, se são europeus, se são asiáticos, etc. Sendo que eu mesma, não me preocupo com isso. Sim, no Brasil também, o racismo existe mesmo e é uma vergonha, ainda mais tratando-se de uma nação cheia de mestiços. Obrigada pelo comentário.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s