DUOLINGO ENGLISH TEST X TOEFL

Olá, pessoal!

   Hoje eu venho falar sobre algo que muita gente tem que me perguntado: o Duolingo English Test, conhecido pela sigla DET.

   Como muitos de vocês já sabem, o Duolingo, que era aquela plataforma para praticar o inglês, lançou um teste de proficiência em 2016 e este teste têm se tornado muito popular aqui no Brasil, também.

    O teste começou a ganhar espaço, justamente por oferecer praticamente a mesma coisa que o já conhecido e temido TOEFL, por um preço muuuuito mais camarada. (Apenas $49!!)

    No nosso canal do Youtube, deixei um vídeo sobre este teste, explicando como fazer e as principais vantagens dele. Também procurei fazer uma comparação com o TOEFL para que nossos inscritos possam refletir e decidir qual o melhor teste para si.

   Porém, caso você prefira ler, eu continuo o post explicando como funciona o DET, ou Duolingo English Test.

     Por ser um teste novo, ainda há muita gente suspeitando da qualidade dele, mas eu fiz o DET em setembro deste ano e, super indico! Mas, espere! Tudo vai depender de qual o motivo para você ter que prestar um teste de inglês. Você precisa comprovar proficiência através de um certificado para alguma empresa? Se sim, o DUOLINGO serve, a não ser que eles tenha exigências de que só possa ser o Camdridge, IELTS ou TOEFL. Se este não for o caso….se joga!

    Lembro que conversando com a gerente do meu banco, comentei sobre o DET e ela ficou super animada em fazer, ainda mais porque o preço do TOEFL, quando convertido para a nossa moeda, nas atuais condições, é de fazer qualquer um chorar!E, ela precisava comprovar proficiência em inglês para subir de posição dentro da instituição.

     O preço, sem dúvidas, foi um dos motivos pelos quais eu fiz o DUOLINGO primeiro. Lembrando que o TOEFL custa 200 dólares e que isso convertido para a nossa realidade daria mais de 1.000 reais (lágrimas caindo). Em compensação, o DET custa apenas 49 dólares! Ou seja: muito mais acessível que o TOEFL.

      Além disso, para o DET, você não precisa ir até um centro aplicador do teste, pois ele é feito no conforto da sua casa, na frente do seu computador. Mas, certifique-se de que está tudo funcionando direitinho no seu PC e que não há nenhum barulho durante a prova, pois já vi depoimentos de quem foi eliminado porque tinha barulho de fundo. Porém, tirando isso, o teste é realmente conveniente, prático e o melhor: tudo termina em apenas 1 hora. Comparando com o TOEFL que dura cerca de 3 horas, o DET dura apenas 1 hora e avalia as mesmas competências que o TOEFL. Não está convencido ainda? Tem mais: O resultado sai em 2 dias!

      Você, que está a procura de um teste de inglês, já deve ter ouvido falar no TOEFL Home Edition, que é a versão dele feita em casa. Se quiser saber mais, faça uma busca no Youtube e você encontrará vários vídeos sobre o Home Edition. Mas, o preço dele e o do TOEFL tradicional é o mesmo.

    Como uma tentativa do TOEFL de frear o DET, que estava expandido seus territórios e angariando mais e mais alunos, a ETS, empresa responsável pelo TOEFL, GMAT, GRE, etc., criou o TOEFL ESSENTIALS, uma versão enxuta do TOEFL com a metade do preço do original. Porém, vale ressaltar que muitas universidades estrangeiras não aceitam o Essentials ainda e vão exigir que você faça o TOEFL tradicional, seja no centro ou em casa.

    Muita gente pergunta se o DET tem o mesmo “nível” do TOEFL e se analisa as competências da mesma forma. Aqui, temos um exemplo do resultado do teste. Porém, se você quiser verificar como é feita a comparação com o TOEFL, no próprio site do Duolingo você encontra.

   Vale lembrar, também que a pontuação total de ambos é diferente. Enquanto o TOEFL vale 120 pontos no total, o DET vale 160 pontos.

  Agora, a pergunta de ouro: vale a pena fazer o DET ao invés de TOEFL ou IELTS?

  Bem, como expliquei no início do post, tudo depende de qual o motivo para querer fazer um ou outro. Se você pensa em estudar no exterior, há 4000 de instituições pelo mundo que aceitam o DET, sendo mais da metade delas nos EUA.

   Porém, se você der uma olhada na longa lista de instituições e cursos, vai perceber que aparecem membros da Ivy League como Columbia University e Yale, além de outros nomes de peso como Duke and John Hopkins University. Isso, claro, salta aos olhos! Porém, se estudar nos EUA é o seu objetivo, fique atento a estes nomes, pois muitos dos que aceitam o DET, aceitam somente para cursos de graduação.

   Abro um parênteses aqui, para explicar que quando falamos de graduação, em português, é diferente da palavra “graduate” em inglês. Cuidado para não se confundir com os termos. Graduação como conhecemos em português, no sentido de bacharelado, é undergraduate em inglês. E, a nossa pós-graduação (mestrado e doutorado) é que é o graduate deles. Portanto, fiquem atentos a este detalhe!

    Vale mencionar aqui que para cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado), a maioria das universidades americanas vai pedir o TOEFL e IELTS. Mas, isso também depende da área a qual você pertence. No meu caso, que sou de Letras, a maioria pede TOEFL ou IELTS e algumas, uma pequena parcela, aceita o DUOLINGO para quem quer se candidatar a uma pós-graduação. Sendo assim, o DET geralmente é aceito para cursos de undergraduate (bacharelado).

  Porém, sempre vale a pena verificar com a faculdade /departamento para o qual você deseja se inscrever.

      Agora vamos entender como é o teste:

   Na página do DUOLINGO, você consegue faze um simulado para poder se familiarizar com a prova. Aliás indico esta estratégica seja qual a prova que você for fazer: DET, TOEFL, HSK, JLPT, DELF, etc. É muito importante conhecer a prova e o tipo de questão que ela pede. Já vi muita gente fluente no idioma se dar mal nestes testes simplesmente porque achou que não precisava estudar por já ser fluente! Ledo engano! Mesmo que você seja fluente, é sempre bom saber o que esperar de uma prova. Tanto o TOEFL como o DET oferecem simulados online, sendo que o TOEFL, por ser uma prova mais conhecida e tradicional, vai ter diversos materiais online gratuitos para download.

    Basicamente, o que é pedido no TOEFL, também é pedido no DET. Só que em uma hora de prova. Enquanto no TOEFL você tem as partes de listening, speaking, writing and reading bem definidas e divididas. No DET, não. Você vai ler alguns textos no início, depois vem uma questão de listening, depois de speaking, depois de reading de novo, depois de writing….e é adrenalina pura!

     Agora, vamos falar de uma vantagem do DET. Como ele é um teste relativamente jovem e que está ganhando cada vez mais espaço no mercado, ele compete de maneira ferrenha com o TOEFL. E quem leva vantagem nisso? Você, candidato! Como? Se você fez o DET e depois resolve fazer o TOEFL também, você pode informar suas notas do TOEFL para o DET e, depois de algum tempo, eles vão analisar e te pagar em dólar! Sim, você vai ganhar 35 dólares?? (que dá quase 200 reais) só porque você informou suas notas do TOEFL para eles. Eu fiz isso e há duas semanas, ganhei esta quantia em um reward card, o qual você pode usar na Amazon, no Uber, na Apple, etc.

       Enfim, o DET pode ser uma ótima opção dependendo dos seus objetivos, por isso, leia bastante sobre os testes de inglês disponíveis no mercado, quais são os aceitos e por quais universidades e, se joga!! Best of luck!

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Relembrando o México

Olá, pessoal! Aproveitando que o canal Viva está reprisando a já super reprisada trama de Maria do Bairro, com nossa queridíssima Thalia no papel principal, resolvi fazer um flashback aqui e relembrar alguns vídeos do nosso canal no México!

Sim! Se você é novo no blog ou no canal, talvez não saiba, mas antes de voltar definitivamente ao Brasil, em 2019, eu fiquei 3 meses no México, mais precisamente, na Cidade do México.

Vejo que quando as pessoas falam de México ou mostram algo do país na tv ou no Youtube, é sempre relacionado a Cancún. Mas, será que o México é só isso? Será que Cancún resume toda a riqueza cultural do país? É óbvio que a resposta é não. Creio que o México, sobretudo sua capital, a Cidade do México, um dos destinos de viagens mais subestimados pelos brasileiros. Todo mundo acha lindo ir pra Cancún, mas ninguém pensa em desbravar nem a capital e nem as incontáveis belas cidades que só o México possui. Mas, como no nosso canal sai na frente, aqui você fica sabendo o que realmente tem na capital da terra dos mexicas.

Há diversos vídeos no canal para você maratonar, mas selecionei alguns só como um curso introdutório!

Polanco- O bairro mais exclusivo da Cidade do México

https://www.youtube.com/watch?v=uQMgOmZq8Wo

O bairro Roma- Um dos mais tradicionais e belos da Cidade do México

https://www.youtube.com/watch?v=76VZESeyF7M&t=8s

Cultura vibrante – Zócalo e o Templo Mayor

https://www.youtube.com/watch?v=Pxrm67j-_zM&t=2s

E aí? Ficaram com vontade de visitar este belíssimo país?

por Banjara Soul

Voltamos com tudo!

Olá, pessoal!

Tudo bom?

Sim, eu sei. Tivemos pouquíssimos posts este ano, tanto aqui como lá no nosso canal do Youtube. Fiquei pensando o que fazer com o canal, e depois de refletir um pouco, decidi não fechá-lo e abordar um novo conteúdo, que apesar de novo, também tem tudo a ver com viagens e culturas, que é o que eu mais amo.

Como a proposta do canal sempre foi levar informação de qualidade aos falantes de língua portuguesa, eis que decidi focar em educação, área da qual eu sempre fiz parte. Porém, juntando educação + viagem. Como? Apresentando para vocês, dicas de estudos de idiomas, cursos de intercâmbio, programas de bolsas de estudo e tudo o que você precisa para alcançar vôos mais altos em sua vida!

Portanto, encerramos 2022 com esta nova proposta: a de informar brasileiros sobre vagas de bolsas e programas de intercâmbio. E, já temos vídeos novos no canal!

O 1o programa de intercâmbio sobre o qual iremos falar é o JET Programme, do governo japonês, que recruta candidatos para trabalharem em repartições públicas japonesas e promover a mútua compreensão entre a sociedade local e os imigrantes. Um programa fantástico, com um ótimo salário e que abrirá, certamente, muitas portas para os participantes no futuro.

Esta que vos fala, foi Jetista de 2007 a 2009, na província de Shiga e depois, agarrei uma oportunidade na secretaria de educação da província de Aichi, como orientadora pedagógica. Sendo assim, tenho muita coisa para compartilhar com vocês!

Então, vamos rumo ao sucesso!

https://www.youtube.com/watch?v=UIV_4cb_oXA

Abraços!!

por Banjara Soul

Novelas asiáticas e o público brasileiro

Outro dia, conversava com uma das professoras lá da faculdade e seu marido, quando eles me disseram que o filho deles costumava assistir novela asiática e, que por influência do filho, eles começaram a assistir e hoje, não conseguiam ver outra coisa!

Novelas coreanas

Não só este casal, mas com as plataformas de streaming, vejo que o audiovisual asiático tem que se tornado cada vez popular no Ocidente e já caiu no gosto do brasileiro. Novelas coreanas, japonesas, chinesas. Eu já era fã desde a década de 90, quando assisti a primeira novela japonesa. Demorou para cair no gosto do público, mas caiu. O que falar, então, das novelas turcas que tiveram seu apogeu há uns 5 anos na tv brasileira? Sila, Fatmagül, Mil e uma noites….novelas que tiveram grande audiência e que mostraram que uma boa trama é feita com atores magníficos e com um bom script, sendo totalmente desnecessária a apelação sexual, tão exacerbada nas novelas brasileiras.

Sang e-mah

Se você curte este tipo de novela, que não mostra cenas de sexo explícito, mas cuja força está nos atores e suas interpretações, eu venho te apresentar um outro país que produz novelas incríveis: o Paquistão!

Já comentei aqui no blog sobre vários filmes e novelas paquistanesas, pois costumava assistir muito quando estava na Índia. E, pasmem! Elas fazem o maior sucesso na Índia, também. Apesar da animosidade entre os dois países, a verdade é que o povo reconhece quando algo é bom. Sendo assim, vou apresentar para vocês uma novela bem recente, ainda de 2022, cujo último capítulo terminei de ver hoje. Afinal, férias é pra isso: pra maratonar muitas séries e doramas.

A novela em questão se chama Sang-e-mah e é baseada em nada menos que Hamlet, de Shakespeare. Passada nas montanhas do Paquistão, a novela trata de questões envolvendo tradições tribais e questiona a manutenção destas tradições do país.

Pra quem não conhece, em algumas tribos no Paquistão, ainda há a tradição do ghag, uma espécie de anúncio, no qual o rapaz vai até o portão da casa da moça na qual tem interesse e atira 3 vezes para cima. Com isso, ele proclama que ela pertence a ele e que não estará disponível para aceitar nenhuma proposta de outro pretendente. E caso isso, aconteça, um duelo entre os pretendentes acontece. Soou como algo medieval para você? Pois esta tradição ainda existe, ficando a mulher totalmente subjugada a decisão do pretendente e, caso ela o rejeite, ninguém terá coragem de pedir a mão dela novamente. Sendo assim, ela ficará solteira para sempre na casa dos pais, algo considerado uma desgraça para estas comunidades tradicionais.

A novela vai abordar o fato de como a vida das pessoas pode tornar miserável em nome de uma tradição. Não vou dar mais spoiler, mas a novela vai levantar diversas outras questões sociais junto, além de trazer diálogos fortes e em algumas partes, cheios de poesia.

O ator principal, que faz o papel de Hilmand, é ninguém mais ninguém menos que o grande cantor e compositor Atif Aslam. Quem curte Bollywood, certamente deve conhecer pelo menos uma música dele, já que ele já recheou diversas trilhas sonoras.

Um dos sucessos de Atif Aslam

É muito interessante ver um cantor tão consagrado se consagrando como ator, pois a atuação dele está próxima do impecável.

A novela inteira, com seus 26 episódios se encontra no Youtube, com legendas em inglês e, eu super recomendo para você, que quer um entretenimento de qualidade sem cair na vulgaridade.

Literatura asiática- Vale a pena conhecer

Como havia dito anteriormente, vou usar o espaço do blog e do canal (do canal, quando me der na telha), para divulgar a literatura asiática para o público brasileiro. Para quem não sabe, eu sou formada em Letras ( Português-Japonês) pela minha amada UFRJ. Porém, quando era aluna de Letras, a matéria que menos me interessava era exatamente literatura. Gostava, obviamente, das aulas de língua estrangeira (no meu caso, o japonês), das aulas de linguística e um pouco de literatura comparada.

Meu interesse por literatura asiática só nasceu mesmo depois que eu fui morar na Ásia e, mais ainda quando decidi, já aqui no Brasil, fazer um mestrado.

Rashomon- Uma obra prima da literatura japonesa
Que tal um pouco de literatura iraniana?
O Vietnã possui um rica e antiga cultura literária

Aqui no canal, já divulguei diversos livros para vocês de autoras asiáticas, apesar de a maioria não ser exatamente algo artístico ou uma grande obra literária. Mas, uma literatura indispensável para entendermos a mente asiática e o que se passa naquele continente.

Esta é uma obra que será abordada em breve aqui no blog e a qual não pode faltar na sua coleção.

Sendo assim, aqui no blog, vou apresentar um pouco da literatura de vários países asiáticos para vocês para que possamos sair um pouco do eurocentrismo que norteia os estudos literários no Brasil.

E você, nosso leitor? Já consumiu literatura asiática alguma vez? Se sim, deixe aqui nos comentários os nomes das obras que você já leu.

Um abraço e até a próxima!

por Banjara

Jayalalithaa – A mãe de todos

Como prometido no post anterior, hoje contaremos um pouco sobre a trajetória desta grande atriz do cinema indiano que entrou para a política e tornou-se um ícone no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia.

Jayalalithaa nasceu em 1948, no estado de Karnataka, no sul da Índia, com o nome de Komalavalli. Apesar de nascida em Karnataka, pertencia a uma família Tamilian Brahmin Iyengar. Não vou entrar na parte de explicação sobre as castas, mas no sul da Índia, sobretudo, os Brahmin ainda tem uma posição bastante de destaque na sociedade e, mesmo existindo várias subcastas dentro dos Brahmins, os Iyengar, hoje, são mal vistos, pois por séculos, oprimiram as castas mais baixas. Mas ainda assim, eles carregam um grande orgulho e empáfia por fazerem parte desta casta considerada tão “pura”. Esta foi uma simplória explicação apenas para situá-los em relação a casta de Jayalalithaa e sua família.

O nome Jayalalithaa foi criado quando ela tinha um ano, para que fosse usado quando começasse a ir à escola e teve origem em duas das vilas onde sua família residiu: A Jaya Villa e a Lalithaa Vila. Jayalalithaa sempre foi uma excelente aluna, ganhando até uma bolsa de estudos do governo, chegando a ingressar no Stella Maris College, em Chennai. A esta altura, Jaya já morava em Chennai, capital do estado de Tamil Nadu e, devido a insistência da mãe para que se tornasse atriz de cinema, Jaya acabou largando os estudos. Porém, isso não impediu que ela fosse uma leitora assídua. Dizem que Jaya possuía uma coleção de milhares de livros e que já tinha lido quase todos eles. Além disso, Jaya também era fluente em diversas línguas, como tamil, kannada, malayalam, telugu, hindi e inglês.

Jaya quando criança

Como vocês já imaginam, Jayalalithaa acabou ingressando no mundo do cinema e logo fez par com uma das maiores lendas da telona da época: MGR. MGR é a abreviação de Maruthur Gopala Ramachandran. A química dos dois nas telas deixava o público louco e, esta química acabou passando da tela do cinema para a vida real. MGR e Jayalalithaa começaram um romance, como toda a Índia sabe, mas o romance acabou encontrando um grande obstáculo: o próprio MGR, que era casado e nunca havia contado para Jaya. Ainda assim, após idas e vindas, o romance continuou e para Jaya, MGR sempre foi mais que um amante. Ele o tinha como uma espécie de semideus, talvez por já ser uma lenda viva quando se conheceram ou talvez, pela grande diferença de idade entre ambos.

MGR, acaba abandonando as telas do cinema e entrando para a política, fato que o fez realmente próximo de uma divindade para os indianos. Anos depois, os dois se reencontram e Jaya acaba aceitando o convite de MGR para entrar para a política. Ela era seu braço direito e enfrentou muito preconceito por ser mulher em um gabinete puramente masculino.

The life and times of J Jayalalithaa

Porém, ela estava obstinada em cumprir todos os propósitos impostos a ela e assim o fez. Infelizmente, MGR, já com idade avançada, acaba falecendo e Jaya, se vê sem o seu grande amor e mentor. O partido de MGR, o AIADMK (All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam), chutou Jayalalithaa de cena e decidiu que a esposa de MGR deveria substituí-lo na política. V. N. Janaki, sua esposa, também uma ex-atriz e sua terceira esposa (as duas primeiras faleceram devido a problemas de saúde), acabou assumindo o papel de governadora do estado de Tamil Nadu, mas governou apenas por 24 dias. Em 1989, Jaya sofre um ataque por parte de seus opositores durante uma assembléia e sai de lá com o saree todo rasgado, como Drapaudi em Mahabharata. Aliás, é exatamente com esta cena que o filme começa. Neste dia, ela jurou que só entraria ali novamente como governadora. Anos depois, Jayalalithaa volta à cena e finalmente torna-se a governadora de Tamil Nadu, governando por seis mandatos e sendo amada pelo povo, recebendo o apelido de Amma (mãe).

Em setembro de 2016, Jaya é internada no famoso Apolo Hospital, em Chennai devido a uma infecção e profunda desidratação. Após muitos dias de hospitalização e muita repercussão em torno do seu real estado de saúde, no dia 5 de dezembro do mesmo ano, ela sofre uma parada cardíaca e deixa seus seguidores e admiradores para sempre.

Na época, eu morava na Índia e lembro que muito se falava do seu verdade estado de saúde. Havia boatos de que ela já havia falecido há muito mais tempo, mas para não alarmar o povo e evitar até suicídios coletivos por parte dos mais fanáticos, eles foram enrolando até anunciarem que ela havia sofrido um infarto e respirava com a ajuda de aparelhos. E, no dia seguinte, finalmente, anunciaram que ela havia falecido. Nesta época, outras teorias apareceram, sobretudo uma que dizia que ela havia sido envenenada a mando da sua principal oponente.

Seja lá qual for a verdade, Jayalalithaa é, até hoje, uma figura amada e admirada sobretudo pelo povo de Tamil Nadu, chegando ao status de uma quase santa. Estive em Chennai diversas vezes e, em uma delas, visitei seu memorial. Ela está ali, junto com seu amado MGR. Deixo o vídeo aqui para quem quiser assistir. A parte do memorial está mais para o final do vídeo.

Então…até a próxima!

Juliana

Cinema indiano – A matriarca

Thalaivii - Tamil Version - Event Cinemas

Se tem uma coisa que sinto muita saudade da época que morava na Índia, é de minhas frequentes idas ao cinema. Aqui, nos cinemas, como só passa Hollywood e aqueles super heróis sem graça, eu nunca vou. Na época da gravidez, como estávamos em plena pandemia, assisti muitos filmes indianos no Amazon Prime. Desde que Zorawar nasceu, como meus horários mudaram muito, assistir um filme tornou-se uma missão quase impossível. Ainda mais porque no ano passado, a prioridade foi dos estudos mesmo, pois queria muito passar na seleção de mestrado.

Mas, ontem, finalmente, depois de tanto tempo, consegui assistir a um filme completo: Thalaivii, cujo título em português ficou como A matriarca. Thalaivii tem como protagonista ninguém menos do que Kangana Ranaut, que já apareceu aqui no blog na matéria que escrevemos sobre as mulheres dominando as telonas em 2014.

Mas voltando ao assunto….Thalaivii conta a trajetória da grande estrela do cinema indiano, Jayalalitha, que entrou para a política e foi eleita governadora do estado do Tamil Nadu pelo menos umas seis vezes.

State premier of Tamil Nadu, Jayalalitha, found guilty in graft case | News  | DW | 27.09.2014
A lendária Jayalalitha

Como creio que o público brasileiro não conhece esta grande mulher indiana, vamos aproveitar para contar sua trajetória para o público tupiniquim em nosso próximo post. Por enquanto, deixo vocês com o trailer.

escrito por Banjara Soul

A saga rumo ao mestrado

Foto por Anastasiya Gepp em Pexels.com

Me lembro que no início da minha gravidez, uma brasileira lá de Bangalore que havia tido bebê recentemente, ao ouvir sobre meu sonho de ingressar no mestrado, me soltou a pérola: ” Ih, Juliana…você tá muuuito enganada. Você tá pensando que vai ter tempo pra fazer alguma coisa quando seu bebê nascer? Vai sonhando, vai…”.

Aquelas palavras me marcaram. Sei que a pessoa teve um parto e pós parto traumáticos, mas isto não lhe dá o direito de desejar a ruína na vida de outra pessoa. E, se a maternidade estava sendo um perrengue para ela e a fez acabar com todos os sonhos e projetos, eu sinto muito, pois não era para ser assim. E isso eu determinei desde o início. Também cortei relações com esta pessoa, pois gente assim eu não precis na minha vida. Aliás, desde que me afastei um pouco das mídias sociais, o que mais tenho feito é filtrar amizades. Posso contar nos dedos de uma mão as que sobraram.

Quem me acompanha sabe que não estava nos meus planos ter filhos. Queria ter sim. Ter cinco filhos. Quando eu tinha meus vinte e poucos anos. Mas o tempo passou, a cabeça mudou, as prioridades eram outras e estava curtindo muito minha vida de solteira no Japão, viajando muito e, depois, minha vida de casada na Índia, viajando e trabalhando muito, também. E, quando eu pensava na maternidade, nunca era como um fim, mas como um recomeço. Talvez até como um hiato, mas nunca como um ponto final. Por isso, mesmo depois de ter sido mãe, continuei perseguindo o meu sonho de ingressar no mestrado em uma universidade pública.

No ano que tive o bebê, 2020, eu me inscrevi pela primeira vez na seleção de mestrado. Fora da minha área. Me inscrevi em algo relacionado a comunicação e audiovisual para poder abordar o cinema indiano. Porém, bem na época de terminar o projeto e revisar, eis que minha mãe é hospitalizada e, um mês depois, falece. Só Deus sabe de onde tirei forças para poder terminar de escrever. A revisão, nem fiz direito. Queria apenas entregar e me livrar daquilo. Resultado: reprovada. Não fiquei mal pois sabia que o momento não era propício e também por estar tentando fora da minha área.

Foto por Abby Chung em Pexels.com

Sendo assim, decidi que ia esperar o bebê nascer e, ficaria de olho nas seleções de mestrado que abririam em 2021. Foi o que fiz. Porém, eu ainda tinha na cabeça que eu deveria tentar o único mestrado no país em língua, cultura e literatura japonesa, que é na USP. Porém, esta experiência com a USP e seu departamento de japonês veio a ser a mais amarga de 2021. Como minha linha de pesquisa era em literatura japonesa, eu deveria comprovar que tinha o nível 2 da prova de proficiência em língua japonesa. Na verdade, eu tenho o nível 1. Mas como a prova foi feita há mais de 10 anos, falaram que já tinha passado da validade e eu teria que passar por uma prova de japonês do próprio centro de línguas da USP. Aceitei de boa. A prova de língua era a última das minhas preocupações. Fiz a prova toda online e achei bem tranquila. Lembro que eu só tinha ficado em dúvida em apenas uma questão. A partir daí começou uma série de acontecimentos estranhos que terminaram em uma troca de farpas entre eu e o departamento em questão. O resultado da prova de língua não foi divulgado. Nem por e-mail e nem na página da internet do departamento como é de praxe. O gabarito foi divulgado, mas eu não tinha a prova comigo para conferir, já que foi online. Tampouco tirei print da tela, pois como eu disse, a prova de língua era a última das minhas preocupações. O projeto e arguição sim, era o que eu temia.

Entreguei o projeto na data estipulada e fiquei aguardando eles marcarem a arguição, como mencionado no edital. A data da arguição acabou passando, ninguém entrou em contato e eu mandei um e-mail para averiguar. Foi quando eu recebi a pérola: ” Não, ainda não marcamos as entrevistas, mas eu lamento informar que você não passou na prova de língua. Por isso, para você, não haverá entrevista.”

Minha respiração cessou por alguns segundos. Não conseguia crer no que estava lendo. Meu marido saiu do banheiro e eu me acabei de chorar. Ele também não conseguia acreditar. Mandei um e-mail para minha coordenadora, japonesa, da escola onde trabalho e, ela disse, indignada: –“Poderiam te reprovar no projeto, na entrevista, mas…na prova de língua japonesa, nunca!”. Era o que eu precisava ouvir. Eu também tinha certeza disso. Esperei me acalmar e mandei um e-mail para a ouvidoria da USP, reclamando da falta de clareza da seleção. Me mandaram escrever não sei pra qual departamento. Escrevi, eles entraram em contato com a coordenadora da pós-graduação de japonês e a desculpa dela foi a mais absurda:” No próximo semestre tem de novo e aí você tenta! Se quiser a gente te isenta das taxas”. Respondi dizendo que não estava pedindo isenção de taxa nenhuma e não precisava desta esmola. E que, eu tentaria a seleção em uma universidade que tivesse uma nota mais alta no Capes, ao invés do medíocre 4 que eles estagnaram há anos. Após a troca de farpas, eu apenas encerrei dizendo: ” Vocês ainda vão ouvir falar muito de mim. Aguarde.” Fiquei bastante decepcionada, desiludida. Quando a gente não passa porque não tem capacidade, é aceitável. Mas quando a gente tem um currículo excelente e tudo para ser escolhida e nos passam uma rasteira, eu fico muito indignada. Odeio injustiça. Mas, a verdade seja dita: tem muito professor que quando vê alguém com a capacidade de ser tão bom ou melhor que ele, treme na base e quer ver a pessoa ou candidato bem longe. Professores são seres vaidosos. E, professores universitários, mais ainda.

Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com

Mas, após este balde de água fria, eis que abre o concurso para professor de língua japonesa da UFRJ e, mesmo sem muitas esperanças, juntei o restante de forças que me restavam após o stress com a USP e me inscrevi. Prova escrita, prova didática, entrevista….Nem acreditei quando vi que havia ficado em 1o lugar! Era tudo o que eu precisava: estar inserida no mundo acadêmico mais uma vez. E desta vez, como docente, o que contaria muitos pontos no meu currículo Lattes, além de outras vantagens. Infelizmente, o contrato de professor contratado ou substituto, como eles chamam, é apenas de 2 anos e já estou entrando no meu segundo ano. Esta foi uma grande alegria do ano de 2022, mas mais alegrias seguiriam no segundo semestre.

Ainda perseguindo o mestrado, decidi mudar de ares. Apesar de ter estudado e ensinado japonês a vida toda, decidi que era hora de sair um pouco disso. Talvez a amarga experiência com a USP tenha sido, na verdade, para mostrar que eu deveria tentar novos rumos. Aproveitando que meu interesse em Índia hoje é muito maior do que no Japão, decidi prestar para estudos literários visando a possibilidade de abordar a literatura indiana.

E, ao invés de me focar em uma universidade apenas, me inscrevi para 4 seleções de mestrado em três universidades: UFF (Linguística e Estudos Literários), UERJ (Estudos Literários) e UFSC (Estudos da Tradução).

A primeira seleção foi a da UFF, para Linguística e, não passei na 1a fase. Mas, já era esperado, já que a prova tinha um viés bastante de esquerda e eu escrevi contestando o tema abordado. Afinal, pediram para dar a opinião com base nos estudos linguísticos. Eu dei, mas já sabia que as chances eram mínimas.

Ainda assim, continuei na luta. Ainda faltavam três. Elas exigiam um projeto de pesquisa. Apesar de eu ter usado o mesmo projeto para as três, o conteúdo do projeto deveria seguir o pedido em edital e, para isso, tive que fazer diversas modificações para tal.

Após a entrega do projeto, era só aguardar o resultado. Se eu passasse na 1a fase, iria para a arguição. Se não, teria que tentar novamente em 2022 ou desistir para sempre desta ideia, coisa que já me passava pela mente, pois parecia que eu nunca ia conseguir chegar lá. Já estava me consolando, dizendo que eu era mesmo uma tonta e que era melhor voltar para a vidinha no mundo corporativo, pois mesmo detestando, ia me pagar bem.

Porém, após ter dado o meu melhor na preparação para a seleção de mestrado e escrita do projeto, finalmente saiu o resultado: É, eu não precisaria voltar ao mundo corporativo. Poderia continuar sonhando em ser docente em uma universidade pública. O resultado, foi mais do que eu poderia sonhar: para quem almejava passar em uma seleção de mestrado….passei em três!! Lágrimas rolaram. Lágrimas de alegria, de alívio, de gratidão…

Foto por Ketut Subiyanto em Pexels.com

Então, certamente a grande novidade deste ano na área profissional é o meu ingresso no mestrado. E, certamente vou compartilhar com nossos leitores um pouco desta jornada. Se você pretende ingressar em um mestrado em universidade pública ou se conhece alguém que está nesta luta, manda acompanhar nosso blog este ano!

Um ótimo 2022 e bons estudos.

por Banjara

E que venha 2022!!

Feliz Ano Novo a todos que acompanham o nosso blog, canal do Youtube e página do Instagram! Não consegui fazer muitos vídeos em 2021, além de ter perdido a paciência para fazê-los, mas pretendo mudar um pouco a cara do canal e abordar outros assuntos relacionado à Ásia, como extensão aqui do blog. Mas, como sei que muita gente quer saber o que eu ando fazendo após a volta ao Brasil e a maternidade, vou contar um pouco.

Finalmente 2021 acabou e já estamos no 4o dia do ano novo. 2021 não foi de todo ruim. Foi sim, até o final do 1o semestre.

Este ano, além de começar meu tão esperado mestrado, continuarei lecionando na UFRJ, dando aulas de japonês e inglês para meus alunos particulares, participando de um grupo de pesquisa sobre literatura japonesa, participando de outro grupo sobre literatura indiana e, ainda tem a especialização em estudos japoneses, que com a pandemia e a aposentadoria da coordenadora do curso, virou de pernas para o ar e ninguém sabe o que será dela.

Além disso, claro, não podemos esquecer que também sou mãe de um bebê fofo de 1 aninho e esposa do pai dele. Ah, sim! Sou mãe de dois gatinhos, a Sakura e o Leo, que vocês já conheceram lá no meu canal. Ou seja: o ano de 2022 promete. Vai ser um ano agitado, mas onde creio que colheremos os frutos de todo o esforço e suor plantado nos anos anteriores.

E, para nossos leitores daqui e seguidores lá do canal e do Insta, desejo um ano com muita saúde, prosperidade e cheio de realizações.

Um abraço e obrigada pelo carinho constante.

Continuamos juntos em 2022.

por Banjara

Contos da Índia- Que fim levou Swati?

Foto de Mãos De Casamento Indiano e mais fotos de stock de Casamento -  iStock

Quem acompanhava o conto deve ter se questionado em relação ao futuro de Swati. Após a morte do amor de sua vida, o cenário estava montado para que sua família fizesse o tão sonhado casamento arranjado.

Swati continuou sua amizade com a mãe de Nikhil e frequentava sua casa pelo menos uma vez por semana. Talvez, uma maneira de manter viva a memória do filho e do amor que havia partido tão cedo. Amigos e familiares ainda não conseguiam acreditar que alguém tão jovem e aparentemente saudável possa ter morrido de parada cardíaca. “Foi magia negra”- disseram alguns. – Na Índia, para evitar um casamento, os pais são capazes de tudo!”- disseram outros. Até envenenamento por parte da mãe de Swati havia sido cogitado.

Porém, por mais que se cogitasse, nada mudaria a triste e solitária realidade de Swati, que agora precisava encontrar forçar para caminhar sozinha.

O sonho de Swati era ir ao Japão. Ela estudava japonês e estava juntando dinheiro para poder ir ao Japão estudar o idioma. Os amigos logo imaginaram que ela iria finalmente adiantar este projeto e ir ao Japão curar as feridas em um novo ambiente.

Alguns meses depois, o telefone da minha mesa toca:

Hey, Banjara. Sou eu, Swati!! Tenho uma novidade muito legal pra te contar!Você não vai nem imaginar!

Certa de que ela me diria que estava com passagem comprada para o Japão, eu disse:=

Imagino sim, mas quero ouvir da sua boca!”

– “Eu vou casar!

Como se um balde de água fria tivesse caído sobre minha cabeça, permaneci em silêncio por alguns segundos.

Se assustou?– disse Swati.

“Sim…achei que você fosse me dizer que ia ao Japão“.

– “Você sabe, Banjara…eu amo o Nikhil. Ele sempre será o grande amor da minha vida. Mas o Ravi é muito legal. Eu acho que ele vai ser um bom marido. E…minha família está muito feliz com ele.

Continuei sem saber o que dizer, mas tive que arrancar um “parabéns” não sei de onde para não bancar a grossa.

– “E eu tô ligando para avisar que assim que a data do casamento for marcada, eu te mando o convite e eu quero muito, muito mesmo que você venha!”

Ao desligar o telefone, não me contive e liguei para nossa outra amiga, que formava o trio. Ela, mesmo sendo indiana, também disse ter custado a crer no que acabara de ouvir. -“Esperava mais dela. Só isso“.

Eu também esperava mais dela. Esperava que ela fosse ao Japão e não desperdiçasse os anos de estudos do idioma, que conhecesse outro país, outra cultura, outro mundo, que morasse sozinha, que ficasse independente e aprendesse a ouvir sua própria voz ao invés de ouvir a voz da sociedade, representada através dos pais. Esperava que sua coragem e rebeldia iniciais e que inspiraram este conto jamais tivessem sido queimadas naquela pira junto com o jovem Nikhil.

E assim como tantas outras, ela entendeu que não adiantava luta contra as leis maiores da sociedade. Casar era a melhor alternativa. Talvez para esquecer o passado. Talvez para sair da casa dos pais. Talvez para mudar-se para uma nova cidade. Talvez para ter um lar do qual se sentisse dona. Talvez, talvez, talvez.

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Não pude ir ao casamento de Swati pois tive outro casamento no mesmo dia na minha cidade. Não sei se não pude ou se uma parte de mim se recusou a ir. Se recusou a aceitar que toda aquela luta tenha sido em vão. E mais uma vez a tradição vencia.

O bebê de Swati e Ravi nasce no mês que vem. Preciso enviar as congratulações.

por Banjara