Enxoval na Índia x Brasil

Desde que engravidei, comecei a perceber como a gravidez como um todo, é tratada de forma diferente na Índia e no Brasil. Volto a abordar este assunto em breve, em um post, mas hoje, venho falar de algo que me chamou muito a atenção desde que comecei a montar o enxoval do bebê aqui no Brasil. 80% das coisas que achamos necessárias aqui, não são exatamente necessárias. Pelo menos, não na Índia.

Não podemos esquecer que mais de 60% da população da Índia vive em zonas rurais e têm práticas diferentes das pessoas que moram em grandes cidades. Porém, mesmo nas grandes cidades como Delhi, Mumbai, Bangalore e outras, você vai notar muitas diferenças no quesito enxoval, já que a maioria dos moradores destas cidades, ainda segue muitos dos costumes de seus vilarejos ou o que aprenderam com suas mães e avós.

Talvez muita gente não me entenda, já que só vive a realidade ocidental ou a realidade brasileira, mas há muita papagaiada envolvendo enxoval de bebê aqui no Brasil, que muita gente acha hiper necessário, mas que pode muito bem passar sem.

O berço

O berço é algo que você vai encontrar pouco na Índia. Primeiro, caso você esteja na Índia, para encontrar um berço que atenda às suas necessidades ocidentais, você terá que buscar lojas especializadas como a First Cry ou Mothercare, que ficam nos grandes shoppings das metrópoles indianas. Ou, fazer amizade com expatriadas ou NRIs, que geralmente possuem estes itens e colocam à venda em grupos de desapego.

Mas, quer dizer que o berço não é algo comum na Índia? Geralmente, os indianos dormem com o bebê na mesma cama. Mas…não matam o bebê asfixiado?- você deve estar se perguntando. Nunca ouvi ou li nenhum caso assim. Há também, o tradicional moisés ou cestinho, que pode ser encontrado facilmente. Além destes, dependendo da região, os indianos usam uma espécie de rede, muitas vezes feita do próprio saree da mãe, onde o bebê dorme confortavelmente e, não ouvimos estórias aterrorizantes de crianças que morreram sufocadas no berço, como volta e meia ouvimos ou lemos pelas bandas de cá.

O berço ocidental, sempre vem acompanhado daquela discussão em torno do ninho redutor, do mosquiteiro e blá blá blá. Confesso que comprei o berço, simplesmente porque a nossa cama é pequena demais para nós dois + dois gatos, que são nossos filhos de pêlos e, claro, dormem conosco. Mas, até o último instante, relutamos bastante, pois tanto eu como o meu marido, achamos uma grande frescura. Coisas que a Índia muda na gente.

Carrinho de bebê

Está aí outra peça raríssima de se ver nas ruas indianas. Eu sempre achei estranho ver as mães carregando seus bebês enormes no colo, revezando, com o marido ou com os sogros. Mas, se você está na Índia, vai se acostumando, porque carrinho de bebê é uma raridade por lá. Assim como o berço, você terá que buscar em lojas especializadas como a que eu citei acima ou em grupo de desapegos. Não há tantas lojas de bebês na Índia como temos aqui, consequentemente, não há tanta variedade de carrinhos como aqui. O uso do carrinho é algo meio cultural, além de claro, termos que levar em conta o ambiente. No interior da Índia, por exemplo, você não verá as mulheres passeando sozinhas com seus bebês. No máximo, irá vê-las na porta de suas casas, enquanto as crianças brincam por ali, com os vizinhos. Também não há parquinhos e praças onde as mães levam seus bebês. Por isso, não precisam de carrinho. Quando levam, geralmente, levam no colo, no carro ou na moto, com o marido. Já nas metrópoles indianas, você até poderá ver em áreas muito ricas, alguma família que tenha carrinho de bebê. Provavelmente, viram em algum filme ou em alguma viagem ao exterior e decidiram adotar este hábito, para mostrar que são muito modernos e ocidentais. Mesmo assim, como as ruas indianas são geralmente desniveladas e esburacadas, carrinhos não são bem-vindos. Mas, isso não impede que você tenha um. Boa sorte nas manobras! Se eu comprei? A princípio, não cogitava comprar, mas acabei ganhando dos meus primos. Então, vamos usar para levar o bebê para passear por este Rio de Janeiro!

Moisés + cadeirinha para carro

Se você acompanha meus vídeos feitos lá na Índia, já deve ter percebido que a maioria das crianças anda no carro ou na moto com os pais e sem proteção alguma. As mamães Nutella daqui morreriam se vissem, não? Pois é. Também achei um absurdo no começo, mas na verdade, isso é tão, mas tão comum na Índia, que você passa a achar normal, também, depois de um tempo. Três crianças sem capacete sentadas entre a mãe e o pai em uma moto. Ou, crianças viajando no carro, na parte da frente, sentada no colo do avô, ou atrás no colo de alguém, sem cinto de segurança ou cadeirinha. Se vocês assistirem alguns dos vídeos que fiz com meus sobrinhos, vocês perceberão que nenhum deles usa cinto ou cadeirinha. E, não são os únicos. Ninguém usa. Mas, mesmo sendo comum pelas bandas de lá, é sempre bom dar o máximo de segurança a uma criança durante uma viagem, seja de carro, moto ou o que for. Talvez você seja a única fazendo isso onde você mora na Índia, mas….o filho é seu e quem deve prezar pela segurança dele, é você, né?

Banheira

Outro item totalmente desnecessário na Índia. Ninguém usa. Se usar, será no máximo, aquelas banheiras bem simples, de 20, 30 reais. Sabem o porquê? Porque na Índia, há um jeito especial de dar banho em bebês, o qual eu quase surtei quando vi pela primeira vez, mas quando penso que todos os meus familiares indianos passaram pelo mesmo processo e estão todos fortes e saudáveis, eu vejo o quanto de frescura o mundo ocidental colocou em mim. Se você ficou curioso para saber como é este banho, eu deixo um vídeo aqui.

Acho incrível, mas….será que eu consigo? Depois, eu conto pra vocês. Ah, sim! A banheira, eu também não ia comprar, mas acabei ganhando da minha família uma banheira linda, enorme, com trocador. Então, bora usar, né? Mas, o dia que eu levar o bebê para conhecer os avós, vou pedir pra minha sogra dar este banho nele e, farei um vídeo para vocês! Só para os fortes!

Quartinho do bebê

A primeira coisa que as pessoas pensam aqui no Brasil quando estão esperando um bebê, é como será o quartinho dele. Isto é: se você tem espaço para montar um quarto só para ele. Claro que quartinho de bebê é a coisa mais fofa e singela deste mundo. Mesmo assim, sinceramente….acho desnecessário. Mas, e na Índia? Lá, a maioria dos casais dorme junto com seus bebês. E, depois que os bebês crescem, eles geralmente continuam dormindo com seus pais ou avós. Claro que deve haver aquelas famílias indianas pseudo-ocidentais, que querem montar um quartinho só para o bebê, para fazer o famoso show off. Mas, acredite: a maioria nem monta quartinho e a criança dorme mesmo é com os pais. Aqui em casa, o bercinho vai ficar é bem do lado da nossa cama, para que eu possa estar sempre atenta a qualquer movimento dele e, lógico, para amamentá-lo o quanto for preciso. Se os gatos dormem no mesmo quarto que nós, você acha que vou deixar meu bebê dormindo em outro quarto sozinho?

Fraldas

Não, Juliana! Agora você exagerou! Não me diga que eles não usam fralda??

Deixo a resposta desta pergunta para o próximo post, quando eu for falar da parte de higiene natural, um tópico bem na moda entre as mamães daqui do Brasil.

Até a próxima!

por Banjara Soul

Dicas de filmes e séries indianas

Quem acompanha o blog há tempos, já deve saber que volta e meia eu gosto de compartilhar dicas de filmes, documentários e novelas sobre a Ásia.

Nestas últimas semanas complicadas, eu aproveitei para assistir a vários filmes e séries no Amazon Prime e, hoje venho compartilhar com vocês.

Começo nossa lista com o filme em língua telugu, chamado Mahanati. Mahanati conta a biografia da grande atriz indiana Savitri, que apesar de todo o talento e fortuna, não soube administrar seus bens e terminou na miséria. No elenco, temos a super talentosa Keerthi Suresh, no papel de Savitri, a queridíssima Samantha Akkineni e o já conhecido Dulquer Salman.

NOTA

NOTA, apesar da familiaridade que temos que a palavra, é um termo muito usado nas eleições na Índia, quando você decide não votar em nenhum dos candidatos: none of the above é a forma completa de NOTA. Justamente por ser um termo que remete às eleições, o nome foi usado neste interessante filme para contar a estória de um rapaz, filho de um famoso político, que se vê obrigado a substituir seu pai, indo contra o que havia planejado para sua vida. Será que ele vai encontrar na política sua verdadeira vocação? Bom, para saber, só assistindo. O filme tem o jovem e talentoso ator Vijay Deverakonda no papel principal, além de outros grandes nomes da indústria em língua telugu.

RX 100

Apesar do nome diferente, o filme vale a pena ser assistido. Conta a tórrida estória de amor entre um jovem do interior e uma moça recém chegada de Bangalore. A trama começa como uma típica estória de amor proibido e casamentos arranjados, mas o seu desenrolar é surpreendente! Super recomendo. Nos papéis principais, o jovem Kartikeya e a Payal Rajput, mantendo a “tradição” da escolha de moças de pele clara e do Norte da Índia para o papel da mocinha.

A última dica de hoje e a melhor, é sem dúvidas, a série Made in Heaven, cujo título em português foi traduzido como “Felizes para sempre”. Se você quer saber o que há de podre na sociedade indiana e como as coisas funcionam por lá, não pode deixar de ver esta série, que trata de assuntos polêmicos como homossexualismo, traição, drogas, ganância, etc. Os atores dão um banho de interpretação e você fica tão entretido, que acaba assistindo a 1a temporada toda em poucos dias. Super indico!

Por hoje é só, mas volto em breve com mais dicas de filmes, séries e novelas.

Até a próxima!

por Banjara Soul

O sequestro do noivo

Já imaginou estar em sua casa, assistindo ao seu canal favorito, quando de repente, chega um grupo de pessoas armadas e, do nada, te sequestra? Parece terrível, eu sei. Mais terrível ainda, por ser um sequestro sem fiança. O pagamento? Casar-se com uma moça da família dos sequestradores. Tudo isso pareceu loucura para você? Para a maioria dos indianos, também é. Menos para alguns que seguem esta tradição de abdução de noivos, nos estados do Bihar e na região de Eastern UP.

Pakadwa Shaadi, como é conhecido, parece ser uma prática mais comum entre as castas Yadava e Bhumihar, da região mencionada acima. O Bihar, que já foi o berço da cultura na Índia e levou conhecimento para várias partes do mundo, há tempos perdeu a majestade e tornou-se um dos estados mais pobres do país. Os estudiosos acreditam que tal situação ajudou a criar práticas como o casamento por sequestro ou a incentivar crimes por dote.

As principais vítimas do casamento por sequestro, são, em sua maioria, jovens que trabalham para o governo, pois na Índia, ter um emprego no governo, também é sinal de estabilidade. E, como muitas famílias não podem pagar o dote por suas filhas, elas acabam optando por esta prática.

Se você ficou interessado no assunto, deixo aqui a dica de um filme que está disponível na Amazon Prime: Antardwand.

por Banjara Soul

Luto na gravidez

Tem vezes que a vida nos prega cada peça, que demoramos a perceber que não estamos fazendo parte de um filme ou uma novela. Foi exatamente o que aconteceu este mês. O que eu mais temia, aconteceu: minha mãe faleceu. Na verdade, eu nem estava temendo neste momento, pois tinha certeza de que ela se recuperaria e voltaria para casa, como das outras vezes. Isso me parecia tão óbvio, já que ela era a pessoa mais empolgada com a chegada do Benjamin, seu netinho.

Mas, de repente, tudo mudou e o luto chegou. Ainda é muito difícil entender como tudo aconteceu. Mais difícil é aceitar que ela não conseguiu viver mais dois meses para segurar o tão esperado netinho. Tentamos achar explicação diante do inexplicável. Uma dor, um vazio profundo, que só mesmo o tempo poderá apaziguar.

O luto em si é algo terrível sim, mais terrível ainda, quando você precisa estar bem e sem estresse, pois tem uma vida dentro de si, que depende 100% de você. Uma vida que ainda nem chegou ao mundo, mas a qual você sente várias vezes ao dia, quando ela mexe em sua barriga e anuncia a sua chegada em breve. Neste momento, é que vem uma força sobrenatural e que nos impulsiona. É a força da vida, dando lugar à força da morte.

Como a maioria dos nossos leitores sabe, eu larguei tudo o que eu tinha na Índia justamente para evitar que o dia que minha mãe falecesse, eu não pudesse estar aqui. Eu não ia conseguir dar conta de algo assim. Sendo assim, com o apoio do marido, nos mudamos de mala e cuia no ano passado, deixando para trás dois grandes empregos, dois grandes salários, sonhos, família….Mas sabem o que é mais impressionante? É que se eu não tivesse vindo ano passado, o que eu mais temia, que era a partida dela sem eu nem ter tempo de me despedir, teria acontecido, já que ainda estamos no meio de uma pandemia e não há vôos da Índia para o Brasil. Realmente, Deus sabe de todas as coisas. Talvez ele soubesse que o que eu mais temia, não era a partida dela em si, mas o fato de não poder me despedir.

Despedidas feitas, agora eu e meu marido, ainda sem chão, estamos tentando descobrir como dar um rumo à nossa vida. Voltar para a Índia sempre esteve nos meus planos, mas na atual conjuntura, sem vôos e no meio de uma pandemia, fica inviável. Por isso, vamos dar tempo ao tempo. Afinal, ele é o senhor da razão. Motivos para ficar no Brasil? Realmente não tenho, já que minha maior motivação agora já não existe mais. Porém, a partida dela me deixou uma série de pendências as quais eu preciso resolver antes de pensar em sair daqui. Por isso, mais uma vez, vamos recorrer ao tempo, que sempre nos mostra o caminho. Assim como fomos rápidos em entender a mensagem do universo de que era para nos mudarmos para cá, também vamos aguardar ele nos mostrar a próxima porta.

Enquanto o universo trabalha em sua imensa sabedoria, aguardamos a chegada do bebê. E, com ela, a esperança de novos tempos e, claro, de dias melhores.

E, com este post, eu enterro o meu luto. De agora em diante, quero voltar a escrever sobre a Ásia, minha grande paixão, sobretudo sobre a Índia, país que eu amo de coração e onde ainda almejo viver até o fim dos meus dias. O canal do Youtube, eu sei que anda meio parado, mas em breve também penso em voltar. Quem sabe, para apresentar o Benjamin, não é mesmo?

No mais, deixo aqui o meu mais sincero agradecimento a todos os queridos amigos que deixaram suas carinhosas mensagens para nós. Saibam que cada mensagem ajudou a consolar nossos corações e oro, para que Deus conceda a todos, muita saúde e uma vida plena. Um abraço a todos e….vem, Benjamin!

por |Juliana (Banjara Soul)

Tirando a poeira do blog

Olá, pessoal! Como estão?

Já faz um bom tempo que não passo por aqui. Na verdade, desde que saí da Índia, minha vida virou de ponta-cabeça e, acabei de afastando um pouco das redes sociais. Recomeçar depois de 13 anos, mesmo que seja no seu próprio país, não é tarefa fácil. Tão pouco achei que fosse. Mas, comecei a ter prioridades e responsabilidades que não tinha na época que morava na Índia e, isto me faz ter cada vez menos vontade de estar nas redes sociais. Tudo agora me parece meio fútil. Talvez sejam os hormônios da gravidez, mas ultimamente ando muito sem paciência com canal de Youtube, blog e outras coisas mais.

Porém, se tem uma coisa que todo professor ama fazer, é levar o conhecimento e informação ao próximo! E isso, claro, como boa professora, é algo que amo fazer. Por isso, acabei renovando com a WordPress e decidi continuar com o nosso blog. Afinal, escrever continua sendo uma grande paixão.

Este ano, certamente, não tem sido fácil para ninguém. Projetos congelados, incertezas, planos frustrados….uma época que, para quem gosta de planejar tudo e tomar as rédeas da própria vida, tem sido bem desgastante.

No meu caso, minhas aulas todas se tornaram online, o que, no início me irritou bastante, mas agora, já tem sido uma mão na roda, já que a barriga está cada vez maior e pesada. Fora isso, o ambiente online tornou-se tão frequente, que conseguimos participar de vários projetos, cursos e grupos de estudo com pessoas do Brasil e do exterior, o que, é de grande valia. No final das contas, o saldo tem sido positivo.

Minhas aulas da pós-graduação continuam paradas, a UFRJ ainda não se decidiu sobre nosso futuro, os colegas de turma da geração Nutella reclamam estar “abalados psicologicamente” e em relação aos estudos, tudo ainda é uma incógnita. Porém, coisas boas também acontecem neste momento insano. Uma delas, foi ser convidada para dar uma palestra semana passada, sobre a origem e história dos ideogramas chineses. Outra, foi continuar meu estudo de mandarim, o qual iniciei em janeiro deste ano. Acabei o segundo período de mandarim e, estou indo para o terceiro, que começa em agosto.

E, claro, a maior surpresa e felicidade desta pandemia, foi descobrir que serei mamãe. Não esperava mais ser mamãe aos 40, mas tem sido uma experiência maravilhosa, principalmente a cada mexida que o bebê dá. A gravidez tem me feito ver a vida de forma bem diferente e, sentir na pele, a maravilha que é ter alguém se formando dentro de si. Como eu mencionei em um dos meus últimos vídeos, esta será a maior viagem da minha vida! Ainda não contei no canal, porque ando sem saco nenhum de fazer vídeos, mas….serei mãe de um menininho!

No mais, como citei anteriormente, o saldo nestes últimos meses, tem sido positivo. Talvez não como esperávamos, mas cheio de surpresas e desafios o que, sem dúvidas, nos levará a um outro nível de experiência e maturidade. A verdade é que ninguém será o mesmo depois de 2020.

Um abraço e até a próxima!

Juliana

Vamos aprender chinês?

Olá, pessoal!

Tudo bom?

Bem, como a maioria de vocês sabem, eu sou professora de japonês há 15 anos e comecei a estudar o idioma quando tinha apenas 14 anos. Desde lá, não parei mais: fiz faculdade de Letras (Português-Japonês), fui bolsista do Japão duas vezes e, totalizei 7 anos de vivência no Japão. Quem estuda japonês, provavelmente deve ter se interessado, posteriormente, pelos países próximos ao Japão, como Coréia e China. Coréia, para ser sincera, eu nunca curti muito e mesmo morando a uma hora de vôo do país do PSY, eu nunca pensei em visitar. Já a China….

Em Shanghai, 2012

Meu lance com a China começou quando uma amiga minha, descendente de japoneses, me apresentou uma novela chamada Meteor Garden. Isso, foi no início dos anos 2000. Eu havia acabado de voltar do Japão. Meteor Garden, para quem não conhece, é uma novela de Taiwan e que fez um sucesso estrondoso não só em seu país, mas também na China, Hong Kong e em quase todos os países do sudeste asiático. Uma verdadeira febre, que alçou o grupo F4 à fama.

Comecei a assistir e, logo fiquei interessada em aprender o idioma. Depois, fiquei sabendo que havia uma igreja chinesa onde ministravam aulas de chinês. Fui visitá-los, mas não pude fazer as aulas, porque eu dava aulas bem aos sábados. Porém, acabei frequentando a igreja deles por um tempo e fiz grandes amigos lá.

Quando me mudei para o Japão em 2007, eu tive a oportunidade de conhecer Taiwan, China e Hong Kong e, mais recentemente, Singapura e Malásia. Os últimos dois, países com grande população chinesa. Mas ainda assim, eu não havia estudado chinês.

Há alguns anos e alguns quilos atrás….hahahaha

Tentei estudar há dois anos lá na Índia, mas a única professora que encontrei na cidade onde morava, tinha uma péssima escrita dos caracteres chineses. Isso me deixou meio ressabiada. Afinal, eu também sei escrever os caracteres e modéstia à parte, muito bem. Nada para se gabar, há que é uma obrigação como professora de japonês.

Sendo assim, o “sonho” de estudar chinês ficou engavetado. Até que….eu voltei para o Rio de Janeiro, onde tudo havia começado e, descobri o Instituto Confucius. Não, não estou ganhando nada para fazer propaganda. (rs) Descobri que havia não só um, mas dois institutos na minha cidade: Na PUC-RIO e, na UFF. E, coincidentemente, eles estavam oferecendo cursos intensivos de verão, bem na época que eu estava com bastante tempo livre. Sendo assim….não pensei duas vezes e me matriculei no curso.

O curso é acontece de segunda a quinta, de 09:00 às 12:00. É puxado, tem dever de casa praticamente todos os dias, mas, está sendo incrível aprender chinês.

Já sei o que você quer me perguntar: ” Chinês é parecido com japonês?”. Prometo escrever ou fazer um vídeo sobre isso, mas, já vou dizendo que apesar das similaridades, são duas línguas totalmente diferentes. a começar pela gramática.

Se há uma língua parecida com o japonês, seria o coreano. Muitas das peculiaridades da língua japonesa, como os honoríficos e partículas, estão presentes no coreano, também. Quem sabe um dia eu não me animo a estudar coreano também, né?

Mas, no momento, meu cérebro só tem espaço para o mandarim mesmo. E, se você já cogitou a possibilidade de estudar mandarim, eu super recomendo. Não só pela experiência incrível que é aprender um idioma cujo conceito é tão distinto do nosso, mas também, porque o governo chinês oferece muitas bolsas de estudos nas mais diversas áreas. Então, quem sabe você não será um dos agraciados com uma bolsa no futuro?

Se você não sabe por onde começar, vou deixar alguns links aqui embaixo de canais do Youtube que falam sobre a China e sobre o mandarim, também.

2 a mais

Um casal de bolsistas brasileiros na China. Ultimamente eles andam meio sumidos, mas eles têm vídeos incríveis no canal. Selecionei um bem interessante para vocês.

Um outro canal muito popular, é o Pula Muralha, da queridíssima Sisi, uma chinesa que fala muito bem o nosso português e é casada com um brasileiro. No canal, ela também ensina mandarim.

Um outro canal que eu já assistia mesmo antes de começar a aprender chinês formalmente, é Aula de Chinês, da Professora Chen. Ela tem um português impressionante e, também ensina com bastante habilidade.

Outro canal imperdível é o da querida Karina Cunha, o Dominando o Mandarim. Karina é brasileira, mas com a mudança dos seus pais para a China, ela e as irmãs estudaram a vida toda em escolas chinesas. Sendo assim, ela arrebenta no mandarim e dá dicas super legais no canal, além de compartilhar boa parte dos choques culturais vividos por ela e sua família.

E você? Conhece algum outro canal sobre cultura ou língua chinesa? Se sim, compartilha com a gente! E, vamos aprender mandarim, gente!

Um abraço e até a próxima!

por Banjara

Paraguai- Primeiras impressões

Quando dizia que iria ao Paraguai, sempre ouvia uma das duas perguntas: ” –Vai fazer compras?” ou “Tem parente lá“? Gente!Desde quando precisamos ter parente em algum lugar para visitá-lo? Você só iria a Paris se tivesse um parente lá? Não, né. Mesma coisa comigo. Decidi ir à Assunção justamente pela curiosidade de pisar em um país tão próximo, cujo trajeto pode ser feito de ônibus, mas ainda tão desconhecido e com escassos relatos pela internet.

Por isso, agora que estou aqui em Assunção, resolvi escrever um pouco sobre as minhas primeiras impressões sobre o país. Vou dividir em tópicos, para ficar mais fácil de ler.

Atravessando a fronteira– Foi super simples. Paramos na Ciudad del Este para nos apresentarmos na Polícia Federal (paraguaia), ganhei meu carimbo no passaporte e, voltei pro ônibus. Não levou nem 10 minutos.

Chegada em Assunção: A rodoviária é bem simples e parece mais com uma rodoviária de cidade do interior. Aproveitei para trocar dinheiro com os “cambistas” que ficam sentados pela rodoviária com suas maquininhas. Parece fake, mas eles são genuínos. Pode trocar. Porém, não troque muito. Deixe para trocar em uma casa de câmbio profissional. Troquei o suficiente para pegar um táxi e comer. Ah! Tem wi-fi na rodoviária, mas só estava funcionando quando voltei, para pegar o ônibus para Buenos Aires. Quando cheguei, não consegui acessar.

A foto não ficou nítida, mas acho que deu para ter uma ideia de como é a rodoviária de Assunção.

Acomodação: Assunção possui hotéis e albergues para todos os gostos. Escolhi o hotel boutique Paseo Del Arte por dois motivos: Por ser uma casa linda e por ficar próximo a shoppings e lojas, já que chegaria em um domingo e tudo estaria fechado. Mas, se você chegar em um dia de semana ou sábado, pode muito bem ficar no Centro de Assunção, o que, seria mais recomendável, na minha opinião.

O interior do belo Paseo Del Arte

Preços: Hoje, dia 13/01/2020, um real está valendo 1,560 guaranis.

Segurança: Achei a cidade bastante segura. E, vale comentar que há bastante policiamento no centro da cidade, principalmente. Vi alguns moradores de rua sim, mas nenhum chegou a me abordar para pedir dinheiro. Não sei como seria à noite, já que sou uma pessoa que praticamente não sai à noite.

Comida: A comida é muito parecida com a do Brasil e tem aquele gostinho de comida de vó. Tem uns ensopados deliciosos, além do maravilhoso frango a milanesa. Vale mencionar a chipa, que é uma espécie de rosca salgada, que pode ter sabor de nada ou de queijo. É bem gostosa e vai bem com café.

O ônibus parou na estrada e de repente uma moça entrou vendendo estas chipas, super quentinhas. Delícia!

Pessoas: São todos muito simpáticos, amavéis e prestativos. Estava sem chip local, então, acabei contando com a boa vontade e simpatia do povo paraguaio para me locomover dentro da cidade, sempre perguntando o caminho e recebendo dicas de lugares e direções.

Curiosidades: Por mais que eu já soubesse disso, não deixei de me surpreender com:

# A quantidade de gente tomando mate nas ruas. Sempre, com o kit mate e cuia, tchê!

# O espanhol dos paraguaios não é dos mais fáceis de se entender, sobretudo quando eles misturam o guarani no meio da frases. Mas, mesmo que não o façam, é um sotaque bem interessante, o qual lembra o português algumas vezes, sobretudo o “R” puxadíssimo, como no interior de São Paulo e outros estados.

# Achei os paraguaios discretos, tanto no vestir como no agir. Não vi a mulherada pelada pelas ruas, nem de shortinho-calcinha, como vejo aqui no Rio de Janeiro. Quando usavam shorts, era sempre de maneira decente.

# Todos os pontos históricos podem ser conhecidos à pé. Sim, o Centro Histórico de Assunção é pequeno e você consegue conhecer tudo em um dia, mesmo entrando em museus e outras atrações.

Só a cara da derrota no calor infernal de Assunção.

# Tudo é muito calmo em Assunção e, se você está procurando por um lugar para sair da loucura da cidade grande, pode ser uma boa opção, pois é uma cidade que tem de tudo que um grande centro pode oferecer, mas em uma proporção bem menor. A cidade inteira parece com uma cidade interiorana do nosso país. Simples, mas muito aconchegante.

Vale a pena ir à Assunção? Esta é a pergunta que todos me fazem. Se você é uma pessoa que já viajou algumas vezes para fora do Brasil, não vale a pena ir só para Assunção, porque acredito que vá achar bem sem graça. Mas, se você é uma pessoa que nunca viajou para fora do Brasil e quer um país próximo para começar ou, se você vai combinar Assunção com outro destino na América do Sul, então, vale a pena incluir a capital paraguaia em seu roteiro.

Um dos belos murais de Assunção

Se ficou curioso, faça uma visita ao meu canal do Youtube, se inscreva e ative o sininho para receber vídeos não só da viagem ao Paraguai, mas de todas as cidades por onde passei neste mini mochilão pela América do Sul.

Um abraço e até a próxima!

por Banjara

Mochilinha América do Sul

Olá, pessoal! Como boa Banjara que sou, já estava aqui com o pé coçando e, comecei a pesquisar os preços das passagens aéreas. Não sei se ainda não me acostumei com os preços dos bilhetes aéreos aqui do Brasil, já que eles eram ridiculamente baratos na Ásia, ou se eles são exorbitantes assim mesmo. Seja lá o que for, eu acho um absurdo o preço das passagens aéreas aqui no Brasil. Não temos empresas low cost, como temos na Ásia (Airasia, Scoot, Indigo, Spice Jet, etc.), o que é um absurdo, mas….como estamos no Brasil, ou a gente espera uma passagem promocional (que ainda assim será cara) ou vai de ônibus. Como o destino era a América do Sul e eu estava com bastante tempo, não tive dúvidas: vou de ônibus mesmo!

Minha intenção inicial era apenas conhecer Assunção, no Paraguai, mas pensei: “Cara, depois de ir tão longe….porque não dar um esticadinha até a Argentina? E…porque não esticar até o Uurguai, também?” Foi assim, que acabei decidindo por fazer não um mochilão, mas uma mochilinha pelos nossos vizinhos. E, aqui, eu quero aproveitar para compartilhar com vocês como foi esta experiência. Então, vamos lá!

Quando se trata de uma viagem que vai percorrer mais de um país, o mais complicado é decidir e montar o roteiro, na minha opinião. Primeiro, pensei em conhecer Assunção, depois subir para Encarnación, ir até Posadas e voltar por Foz do Iguaçu. Mas, isso me faria ver apenas dois países e, mesmo assim, ir até a Argentina e não ir à Buenos Aires é como ir ao Brasil e não visitar o Rio e tirar aquela selfie clássica no Cristo Redentor.

Por isso, como o tempo permitia, decidi esticar a viagem e, depois de Assunção, ir para BA, depois Montevidéu e, voltar pelo sul do nosso país. E tudo….de busão.

Parece puxado? Bem, vou descobrir e conto aqui para vocês.

É hora de desenferrujar o espanhol que não falo desde que saí do México, encher a playlist de músicas latinas, fazer uma malinha básica e, embarcar nesta aventura pela América do Sul!!!

Então, venha comigo desbravar estes países tão próximos, mas ainda tão desconhecidos da maioria dos brasileiros, que seriam o Paraguai e o Uruguai.

Como adoro colocar um fundo musical para tudo….deixo esta canção aqui para embalar nossa viagem!

Bollywood 2020

Todo ano que se inicia traz muita expectativa sobre os lançamentos do cinema indiano, sobretudo em Bollywood. Se tem um filme que tem sido bastante aguardado e cuja estréia será esta semana, é o Chhapaak.

O filme é estrelado por ninguém menos que Deepika Padukone e conta a estória real da vida de Laxmi, uma jovem que foi atacada com ácido aos 16 anos, por um homem mais velho cuja proposta de casamento ela recusou. Laxmi tornou-se conhecida na Índia inteira, por tornar pública a sua estória e também por virar uma ativista, pedindo que parem com a venda de ácidos em seu país, além de dar suporte a outras meninas que, assim como ela, quase tiveram o futuro destruído.

Laxmi antes e depois do ataque

Se você não sabe ainda, a Índia, juntamente com o Paquistão e Afeganistão, lidera o ranking dos crimes com ácidos, cujas vítimas, obviamente, são moças jovens e, o motivo, geralmente é o mesmo: elas não aceitaram a proposta de casamento de algum cara louco, que ficou possesso e decidiu que acabaria com a beleza delas, jogando ácido em seus rostos. Assim, elas jamais conseguiriam casar com mais ninguém.

Achou horrível? Sim, é. Mas, é muito mais comum do que você possa imaginar. Basta passar um tempo na Índia para ouvir estórias iguais ou piores que a de Laxmi.

Mas, a mesma Índia onde loucos jogam ácidos em meninas, é a mesma Índia que quer mudar esta realidade e, a prova disso é o filme Chhapaak.

Tenho certeza que se eu estivesse na Índia hoje, eu correria para o cinema e, certamente, derramaria litros de lágrimas com a estória, como tantas vezes derramei ao ver os depoimentos das vítimas de ataques de ácido.

O filme promete abalar as estruturas da mente retrógrada de muitos indianos. Isso é o que esperamos. Agora, fique com o trailer.

por Banjara

Feliz 2020!!!

Olá, pessoal! Como foram de passagem de ano?

Hoje estava pensando em como a minha vida deu uma guinada surpreendente neste último ano. Exatamente nesta época, dia 1o de janeiro, no ano passado, eu e meu esposo deixamos nossos gatinhos com uma pet sitter pela primeira vez e fomos visitar a família dele em Uttar Pradesh. No mês seguinte, fui até o Sri Lanka, destino tão próximo do sul da Índia e, que voltando ao Brasil, provavelmente, ficaria difícil de visitar novamente. Sendo assim, fiz minha segunda viagem ao Sri Lanka.

Na Galle Face Green, em Colombo, no Sri Lanka

Assim que voltei, já começamos a correria para pegar a documentação dos nossos gatinhos, que fariam sua primeira viagem internacional, para entregar o apartamento onde morávamos, para preparar minha viagem de trabalho ao México….

Na porta do condomínio onde fiquei morando os dois meses.

O ano foi passando, cheguei ao Brasil em abril, fiquei menos de um mês e já tive que ir para o México, onde fiquei dois meses a trabalho, voltei, arranjei um novo emprego aqui no Rio de Janeiro, o qual detestei e foi um martírio até outubro, quando finalmente decidi largar aquele trabalho que estava fazendo mal à minha saúde mental e física.

Mas, trabalhar em algo que eu detestei, me foi muito útil para perceber o que eu realmente gosto, sei fazer e quero fazer o resto da vida. Quando consegui visualizar isso, tudo mudou. A paz voltou a reinar e, quando dei por mim, o ano de 2019 já estava terminando.

Talvez vocês tenham achado estranho eu ter ficado algum tempo meio ausente das redes sociais, sem postar vídeos ou artigos aqui no blog. Mas, eu precisava deste momento “detox”. Não que o blog ou canal me prejudicasse em algo, mas sim, porque eu estava me readaptando à nossa rotina brasileira e tentando me reencontrar na minha própria terra, após 12 anos.

Hoje, eu venho não só para desejar um ótimo 2020 para todos vocês que acompanham o blog e o canal, mas também, para dizer a você, que está passando por algum fase complicada ou meio perdido na vida, que….tudo passa! Tudo aquilo que hoje é…amanhã já não o será.

Ainda bem, né? Então, aguarde muitas novidades aqui no blog e no nosso Canal Banjara Soul, lá no Youtube!

Então….Feliz Ano Novo!!!!!

por Banjara Soul